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Questiúnculas

Portugal não pode continuar a divertir-se aos governos, nem a brincar à oposição.Devemos pôr de lado o amor serôdio que dedicamos a todas as ideias próprias (só porque são nossas) e afastar o ódio vesgo que nutrimos pelas ideias válidas dos outros (só porque são alheias).

N/D
12 Nov 2004

O futuro da nação deve ser preocupação do pensamento e da vontade de todos.

Embora em campos diversos, governo e oposição têm obrigação de olhar pelo interesse nacional.

A causa pública tem de ter prioridade sobre a questiúncula, sobre a chincana política e sobre os «jogos florais» do parlamentarismo.

Não é o que acontece, presentemente.

Várias questiúnculas nacionais têm entretido, ultimamente, os portugueses, alienando-os dos ingentes problemas nacionais.

Entre outras, podemos referir o Barco do Aborto, o caso Marcelo, a reforma de Mira Amaral, a «ponte» no último feriado e a novela Benfica-Porto.

São assuntos que, num caso ou noutro, até podiam ter algum interesse mas, dada a originalidade provocada à nascença e o desenvolvimento novelesco orquestrado posteriormente, não passaram de «fait-divers» utilizados para alienar os portugueses.

– O Barco do Aborto, para além da (i)moralidade do acto abortivo, que uns defendem e outros atacam, no meu ponto de vista, deixou a sangrar a soberania nacional.

– No caso Marcelo, parece-me que houve duas rolhas: – a do Marcelo e a do ministro.

Segundo a moralidade do «sapateiro de Braga», se um tem direito a criticar, pela mesma razão, o atingido tem direito a defender-se.

Por isso, quanto a rolhas, há um empate.

– Mas… houve ou não pressão extra para calar Marcelo?…

– Como uns dizem que sim e outros que não, temos de recorrer ao princípio de que toda a afirmação tem de ser provada com factos e não com suspeitas.

– A famosa reforma de Mira Amaral é escandalosa e provocadora.

Mas, falar apenas desta não resolve nada… Existem muitas, há muito tempo, na CGD e fora dela. Porque se não limita o tecto máximo das reformas?…

Assim, volto à filosofia do «sapateiro de Braga». Ou todos… ou…

– Quanto à última «ponte», tenho a dizer o seguinte;

– Segundo li, em anos anteriores, houve uma média de doze «pontes», por ano. Esta, em 2004, foi a quarta.

Ora, para o bem e para o mal, o número doze sempre foi uma expressão numérica superior ao número quatro. Por isso, em termos de danos, doze implica mais prejuízos do que quatro.

Certamente ainda se recordarão do veto feito, por Cavaco Silva, à «ponte» da terça-feira de Entrudo, que originou o começo do declínio da sua estrela política.

Ora, não se pode ser preso, por ter e não ter cão.

Mais uma vez, apetecia-me falar na justiça equitativa do famigerado sapateiro…

A polémica, à volta do Benfica-Porto, é mais uma telenovela pensada e dirigida por inconscientes, que não medem as consequências que daí possam advir. Felizmente que o povo não se deixou embarcar em «futebôcas».

Entretanto, distraídos com estes episódios, Portugal não estuda nem resolve os grandes problemas que afligem a nação.

Carência de emprego, aumento de produtividade, reformas estruturais da saúde, do ensino, da justiça, da administração pública; sistema rodo-ferroviário, pescas, dívida externa, recuperação de zonas deprimidas, etc. etc. passam para segundo plano e não merecem a reflexão de vida.

– Assim, como é que uma nação pode dar o arranque económico necessário, para sair da mediocridade em que vive?…




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