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Só há um primeiro

Sr. primeiro-ministro, veja se encontra alguém que não tenha rabos-de-palha! Mas os que os têm, aparecem como folhas caídas no outono: negócios próprios ou de familiares, implicados em coisa esconsas, desconfianças de seriedade de desempenhos passados! Isto já não é uma aragem, é uma rajada; a democracia começa a ficar cansada de tanta coisa. O PS não se safa de, em cada semana, ter um caso suspeito de mais um qualquer secretário de estado, de um qualquer assessor ou adjunto, estarem implicados em algo pouco transparente. Se o mal que isto produz fosse apenas confinado ao bom nome do partido, era lá com ele, o cheiro a podre ficava por ali; mas não, este cheiro a podre infesta a democracia e faz com que cada vez mais desacreditemos na seriedade nos que elegemos para nos governar! A democracia é o partido que nos dá o direito de eleger. Mas eleger quem? E para quê? São as perguntas do desânimo e o princípio da desconfiança. É a razão de o virar as costas às eleições. É dar razão aqueles que preferem um governo autoritário “porque pelo menos há respeito”. Respeito ou medo? Quantas vezes estes dois conceitos se confundem e se misturam numa osmose perigosa. Mas quando o vaso se parte ninguém tem mão na água que se derrama. Julgava que, quando um primeiro-ministro convidava alguém para o seu governo, mandava fazer um escrutínio prévio rigoroso, quer quanto à sua idoneidade, como quanto às suas aptidões para o desempenho. A imagem que se nos apresenta dá-nos uma ideia contrária: parece que o primeiro-ministro apanha o primeiro que aceita e não escolhe pela qualidade mas por exclusão de partes. Não é este o melhor processo para um bom governo. Mesmo que isto tenha contornos de exagero, mesmo que a escolha do primeiro-ministro obedeça a parâmetros de idoneidade/mérito, então a ideia que se sobrepõe a todo e qualquer raciocínio, é que o primeiro-ministro não tem bons quadros no partido para escolher os seus ministros ou secretários de estado. Isto é um atestado pindérico passado ao partido. As oposições exigem a demissão deste ou daquele; o que faz o primeiro-ministro? Quando se vê mais apertado deita mão ao expediente da remodelação ministerial. Vai aos que estão no banco para entrarem em jogo. É uma imagem futebolística mas que define bem o que se passa. Tudo isto faz um amontoar das nuvens negras do descrédito que se vai infiltrando no subconsciente de todos nós que vamos escolher, conscientemente, em quem votar. Como no futebol a culpa não é da equipa , a culpa é de quem a escolhe e a treina. Na política o primeiro-ministro é, assim, o responsável pelos seus ministros e secretários de estado porque foi ele que os escolheu .Começa a parecer que o primeiro-ministro tem medo de alguns ministros pela projeção e apoio que têm no partido. Mas ele será o homem do poder e se o tem e o não exerce, então não o merece. Seja como for, a democracia está adoentada e nós queremos vê-la bem saudável. Um fidalgo chamou a atenção do seu rei para ligar mais à governação, senão.. Se não o quê, perguntou-lhe o rei. Senão, não.


Autor: Paulo Fafe
DM

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14 novembro 2022