Dando sequência ao último artigo, a seguir serão apresentadas mais algumas medidas que, no meu entendimento, poderão ser uma boa base de discussão e um forte contributo para alterar completamente o estado de opacidade que verificamos no futebol em Portugal.
A análise do passado permite-nos compreender o presente e antecipar um pouco o futuro. Há coisas mais importantes que ganhar ou perder. Assim sendo, aqui vai o nosso contributo:
(Na sequência dos 3 pontos do artigo anterior:)
4: Criação de uma nova entidade reguladora, independente (tanto dos clubes como do Governo) e forte, apoiada pela força da lei, para garantir a sustentabilidade do futebol a longo prazo, bem como a fiscalização da entrada de investidores. Este regulador independente deverá ter poder para fiscalizar financeiramente os clubes, incluindo recolha de informações, investigação e poderes de execução, colocando limites ao dinheiro que os clubes podem gastar (a UEFA já tem esta prática), e talvez não se veja mais a concorrência desleal que produz uma competição injusta. Este regulador independente deve garantir que apenas bons proprietários e administradores qualificados possam ocupar esses cargos essenciais.
É importante verificar a proveniência do dinheiro e não permitir a entrada de proprietários de países que não respeitem os direitos humanos e se apoderem de fundos que pertencem ao povo. Igualmente, é fundamental a divulgação dos proprietários das empresas (muitas delas “empresas fantasma”, localizadas em offshores) que possuem participações nas SAD dos clubes. Em Portugal, os clubes têm um enorme valor comunitário e cultural, não podem cair nas mãos de proprietários que só se preocupam com o dinheiro, esquecendo os adeptos.
5: Erradicar definitivamente a violência no futebol, em Portugal. A atual autoridade para a prevenção e violência não tem tido resultados, pois foi criada, como tantas outras Instituições, para dar a ilusão de que algo está a ser feito, face aos acontecimentos de violência que ensombravam o Governo e demais autoridades. Não foi criada com a convicção firme de que era preciso resolver definitivamente o problema central.
A solução é criar uma autoridade constituída por uma equipa multidisciplinar (representantes dos juízes e Ministério Público, PSP e GNR, assim como adeptos), com verdadeira autoridade e autonomia para implementar medidas exemplares que punam os prevaricadores. Não é possível continuar a tolerar comportamentos como aqueles que recentemente ocorreram, em que cerca de 50 adeptos do Benfica vieram para o centro de Braga, após o jogo da sua equipa em Guimarães, com o intuito de criarem desordem e violência, que só não aconteceu devido à pronta e excelente intervenção da PSP de Braga. Estas situações acontecem porque existe um sentimento de impunidade, a avaliar pela inexistência de sanções pesadas para tais comportamentos.
De referir que, não há muito tempo, o Governo de Inglaterra proibiu centenas de adeptos com historial de violência de se deslocarem para o mundial do Qatar, e que, caso desrespeitarem as regras, podem enfrentar até seis meses de prisão.
Autor: João Gomes