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Parque de Gerizes: um parque de lazer ou um expositor de carros?

 


 

 


 

1 - A ideia inicial da construção do Parque de Gerizes, em 2009, fundamentou-se nas valências do lazer e na realização de eventos culturais e sociais. Este parque proporcionou aos merelinenses uma área ecologicamente organizada e aprazível para usufruírem nos seus tempos livres. E assim aconteceu durante alguns anos. Plantaram-se dezenas de árvores, colocaram-se mesas para piqueniques, instalou-se um sistema de rega, construiu-se uma casa de apoio e apetrechou-se o parque com alguns aparelhos para a manutenção física. Para dar assistência religiosa, a quem estivesse interessado ou fosse devoto, construiu-se um altar de meditação dedicado a Nossa Senhora de Fátima, onde uma bonita imagem da Senhora se eleva num penedo bem escolhido para o efeito. Todos os dias, dezenas de pessoas de idades variadas usam a pista de asfalto que circunda o parque para fazer as suas caminhadas e para dar dois dedos de conversa. A ideia do parque, claramente, foi uma ideia inovadora, um refúgio seguro e agradável para descongestionar angústias e ansiedades e uma aposta ganha na qualidade de vida dos merelinenses.


 

2 - Já não chegavam as grandes invasões de gente aos fins de semana que inundam este espaço de lazer. Nada a opor às pessoas que o usam com respeito, com prazer e com equilíbrio. Agora, meter duzentos carros naquele espaço ou usá-lo para outros fins que não seja de lazer e de convívio é uma afronta aos objectivos que nortearam a sua construção. Além da poluição atmosférica, sonora, visual e de congestionamento de tráfego nas ruas apertadas que estes “eventos carrais”, inúteis para o desenvolvimento de Merelim, provocam, a Junta de freguesia de Merelim/São Pedro/Frossos, para facilitar os expositores, entendeu, por sua iniciativa, colocar o sinal de sentido único numa rua – Rua dos Combatentes – com oito metros de largura. Repito, com oito metros de largura. Quem entende isto?! O curioso é que esta rua pertence à vizinha freguesia de Palmeira. É de referir também, e importante de assinalar, este movimento carral dentro do parque degrada o seu manto vegetal, o que resulta em muito pó e num aspecto visual pesaroso. Acresce-se ainda o contratempo para os moradores da zona que usam aquela artéria para chegar a Dume, Palmeira e outras localidades situadas a sul. Esta estrada, agora, com a sinalização inadequada lá colocada, compromete a fluidez natural do trânsito, levando os condutores a seguirem pela cangosta da Sebe, onde os carros mal passam. Um último reparo: a escassos metros do parque existe um amplo largo para estacionar largas dezenas de carros, o que invalida o argumento do estacionamento na Rua dos Combatentes. Esta prepotência autárquica, descontextualizada de um tempo de ecologia, de bons ares, de sossego, de bom uso dos recursos naturais, de cidadania, não é bem recebida nem é bem-vinda. Merelim não precisa destes “eventos” para nada. Merelim precisa de tranquilidade, de ar limpo e de reaver por inteiro o seu parque. Por outro lado, compete à autarquia que zele pelo parque e que o respeite nos seus primeiros objectivos: lazer, convívio, descompressão psicológica. Para terminar, um facto irrefutável: o parque não é para carros. O parque é para as pessoas usufruírem na sua plenitude. Nada mais!


 

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

26 julho 2026