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Ponto por ponto

Duas realidades que nos tocam de forma incomodativa ou, paradoxalmente, benévola. Mas sempre inexorável. Muitas vezes sem uma terceira via. A tal via que serve de escapatória para se evitar o desastre ou a depressão e o sucesso ou a glória. Uma via dúbia e inconsequente. Mas, é no tal dualismo que se desenvolve toda uma realidade que construímos ou que nos limitamos a aceitar. Ou seja, viver com a "mão estendida", talvez, mais à espera das benesses de um Estado falido e improdutivo, como é o caso, ou viver com outra dignidade à custa do nosso próprio esforço e engenho. 1 – Em sociedades dominadas pelas correntes da esquerda, releva-se mais a resignação e o aceitar entrar no jogo. Que remédio! É bom entrar nas malhas das clientelas eleitorais. Lá, nos comités centrais ou coisas afins, somos aceites e retiramos daí os devidos proventos. Em sociedades mais liberais são as pessoas que definem o modo de vida e constroem o seu futuro, porque há mais inconformismo, mais garra, outra visão. Mais iniciativa e mais liberdade de acção. Assim, o quadro surge bem mais claro. De um lado, ansiedades e do outro lado expectativas. Dúvidas e certezas. Não acreditar e acreditar. Desconfiar e confiar. Sempre em contraponto. 2 – Noutra perspectiva, a vida das pessoas e a sustentabilidade do país. Visão maniqueísta do mundo. É duro movimentarmos neste balanço que nos projecta para patamares de incompreensão e de manipulação. Tantas desigualdades sociais e tantas tretas na defesa dos mais carenciados. Só tretas e velhas. Muita solidariedade de boca e pouca de acção. No final, e contas feitas, mais de 25 por cento de pobres. Condenados à pobreza por propagandas que escondem a realidade, quando o que seria exigível e racional era mostrar a realidade para a enfrentar com qualidade e eficácia. Mas, não convém mostrar o cenário real. Faz-de-conta que tudo corre bem. Sem problemas. E estatísticas são estatísticas. Números são números. E depois, no momento certo cá estão, os tais partidos, para os usar e para usar a famigerada pobreza como arma de arremesso eleitoral. É o mesmo que dizer: os pobres são nossos. Neste campo, o próprio Marcelo Rebelo de Sousa se indigna ao afirmar que "tem vergonha da pobreza que existe neste país". No país dos subsidiozinhos, das taxas e das taxinhas. É assim que se enganam os tolos. 3 – Com a geringonça, essa coisa imberbe e imperceptível, a vida das pessoas melhorou? O que fez de estrutural a geringonça para mudar a vida das pessoas? Dar aumentos pífios aos reformados depois de os queimar com impostos indirectos? Repor os cortes nos salários dos funcionários públicos que ganhavam mais de 1500 euros mensais? Fazer engenharia fiscal nos arranjos dos escalões do IRS para dar mais umas migalhas bolorentas? A geringonça acabou com austeridade? Ou mudou-lhe o nome para cativações? Tantas questões e pertinentes. Embuste, talvez! Continuemos, entretanto, a assistir à festa, mesmo que não sejamos convidados. 4 – Com a geringonça, o país ganhou sustentabilidade? Não era o investimento público e o consumo interno a visão estratégica dos 12 sábios da economia e da finança para a desejada mudança do paradigma de desenvolvimento para o país? E o que aconteceu? Mudaram de agulha e de linha. Noutros tempos, eram os planos B, C e por aí adiante. Agora, nem sei o que é! 5 – Com a geringonça, a pobreza diminuiu? A precariedade desapareceu? O Serviço Nacional de Saúde cumpre cabalmente a sua função? Há calotes e cativações ou não há no SNS? Como está a dívida pública? E o mundo educativo está de boa saúde? Como vão as infra-estruturas do Estado, como pontes, caminhos de ferro, escolas, hospitais, etc? Mais questões e relevantes se levantam nesta governação que espalha propaganda por toda o lado. Resultados palpáveis, e é isso o que importa, pouco se vêem. Mas, toda a gente está feliz! Assim dizem, assim parece. Com mais empréstimos, mais despesa pública e menos poupança. Será este o futuro desejado?
Autor: Armindo Oliveira
DM

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4 abril 2018