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Ponto por ponto

“A coragem é a primeira das qualidades humanas, porque garante todas as outras.” Aristóteles, filósofo da Grécia clássica - (385-322 a.C.)

Ponto um - Nutro especial respeito por Passos Coelho (PC). Até admiração. Uma admiração consciente e fundamentada num trabalho extremamente cuidadoso e competente. PC foi um político que se distanciou da mediocridade política nacional pela coragem e pelo arrojo com que enfrentou as dificuldades de um país que se deixara subjugar pela incompetência, pelo desleixo e pela irresponsabilidade dos governantes que o antecederam. Soube enfrentar a bancarrota de 2011 com realismo, determinação e elevado sentido de Estado. Não pactuou com o frentismo amnésico da oposição, nem com a “demissão irrevogável” de Paulo Portas. Na sua consciência e no seu cuidado, o país estava sempre em primeiro lugar. Neste momento difícil, a política bem precisava de um líder do estofo de PC para dar a volta à crise e a muitos dos problemas do país.

Ponto dois - PC recebeu dos socialistas um país esfrangalhado. Um país cheio de mazelas e de buracos. Um país de braços caídos e asfixiado por problemas. Nunca vacilou perante o tremendo desafio que tinha na sua frente. O desafio de salvar Portugal da humilhação e da vergonha era demasiado pesado para ser encarado com leviandade e irresponsabilidade. Conseguiu vencê-lo. Com sacrifícios dos portugueses, obviamente. Com a postura responsável de muitos empresários que investiram os seus recursos financeiros na criação de riqueza e de postos de trabalho que bem falta faziam. Com o empenho dos trabalhadores que aguentaram toda as “maldades” impostas pelos credores que exigiam muito e davam pouco ou nada.

Ponto três - PC conseguiu superar o que poucos auguravam ser possível numa legislatura. Superou o défice público de -11,2% e deixou-o em -2,98%. Feito notável. Superou a recessão -3,2% e deixou um crescimento económico de 1,8%. Feito notável. Inverteu a tendência negativa do desemprego, deixando-o na taxa de 12,4%, o que representava um ganho assinalável de novos postos de trabalho. Desanuviou o clima psicológico recessivo que se fazia sentir no país, criando as condições necessárias para que a confiança voltasse aos agentes económicos, aos trabalhadores e às instituições financeiras. Amorteceu a elevada taxa de juros dos empréstimos que se pagava a ultrapassar os 7% para menos de metade. Feito notável. Pagou uma boa parte da dívida ao FMI, dívida contraída pelos socialistas no Resgate Financeiro.

Ponto quatro - Depois de todas “maldades” aplicadas ao país, PC sujeitou-se ao escrutínio eleitoral e venceu as eleições em 2015, contrariando todas as previsões, sondagens, estudos e todos os ditos que proliferavam nos mais diversos órgãos de comunicação. Venceu também uma oposição que nunca soube ser oposição. Venceu um PS dominado por amnésia e por inimputabilidade. Venceu, de caras, o dr. Costa que se arrogava de “salvador da pátria” e virador da página da austeridade. Foi pena que essa coligação frentista de esquerda não permitisse que PC conduzisse o país para patamares de desenvolvimento económico e social comparáveis aos atingidos pela República da Irlanda, por exemplo.

Ponto cinco - O PS não pode e não sabe estar na oposição. Quando lá está, é certo e sabido que desencadeia, de imediato, todo o tipo de ataques com o objectivo de desgastar e de demolir, se possível, o poder instituído. O leitor pode reparar na ofensiva descarada que está a ser feita, neste momento, contra Rui Rio por ter feito nos Açores o mesmo que o PS fez em 2015. Arranjaram como argumento ridículo para justificar esta “ilegitimidade” o “acordo secreto” com o Chega. Se não houvesse acordo com o Chega, os ataques e a rotulagem seriam justamente os mesmos. O problema endógeno não é o Chega. O problema do PS é ter perdido o bastião dos Açores. O problema é bem mais grave. É o desnorte do partido, os resultados e as projeções económicas avassaladoras e os números catastróficos da pandemia. É isso e nada mais.


Autor: Armindo Oliveira
DM

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23 novembro 2020