Em dia de aniversário do Diário do Minho, quero situar-me já no horizonte do centenário. Na verdade, inauguramos hoje um período singular de retrospectiva da nossa história e de projecção de um futuro em construção. São 99 anos de existência, cheios de dinâmica e coragem. Muitos outros teremos pela frente. A articulação entre o passado e o futuro deve tornar-se, por isso, o coração do primeiro centenário.
Fixando-me sobretudo no património humano, gostaria que este ano fosse de gratidão e de reconhecimento. O jornal, graças à dedicação de muitas pessoas,foi evoluindo e encontrando respostas aos desafios. Não esqueço todos os directores, administradores, jornalistas e colaboradores que deram o melhor de si, o seu profissionalismo e tanto se sacrificaram por este projecto. A Arquidiocese de Braga e a sociedade estão-vos imensamente gratos. Recordo, de modo particular, os nossos companheiros de caminhada que entretanto faleceram. Creio ser com orgulho que olham para o que foi hoje alcançado, também graças à sua dedicação.
Caminhamos para o centenário. É tempo de olhar em frente e de acreditar em projectos ambiciosos que dêem vida ao seu Estatuto Editorial. O Diário do Minho nasceu para aproximar as pessoas através de uma informação de qualidade, séria e adequada às metodologias mais modernas.
Os factores de desumanização continuam a marcar o quotidiano e torna-se, por isso, urgente trazer para a praça pública as questões ignoradas por muitos. Este jornal pode e deve ser a voz dos sem-voz, os olhos atentos aos detalhes e as mãos que elevam a realidade. Assumir esta postura, que tem tanto de incómoda quanto de ousada, é um programa que deve entusiasmar quem aqui trabalha todos os dias.
Estamos diante de um jornal informativo e propositivo. Pretende-se com isto dizer que é missão do Diário do Minho informar, de modo correcto e profissional, a realidade do mundo e da região. Mas é também sua missão propor valores universais que quebrem os muros da indiferenças e ajudem a construir uma sociedade mais humana e solidária.
O Papa fala da necessidade de propor a alegria da verdade sem equívocos ou complexos. Por aqui passa, ou pode passar, a originalidade de um jornal de inspiração cristã. Na verdade, não é possível, nem queremos, esconder a nossa identidade. Esta é a nossa diferença perante tantas outras propostas.
Seria bom que esta caminhada, rumo ao centenário, fosse percorrida por todos – jornalistas, administradores, colaboradores e leitores – neste duplo sentido. Olhando para trás, tomando consciência do meritório trabalho realizado e aprendendo com a história. Momentos festivos, difíceis, de dúvida e de ousadia. Aprendemos com todos eles e mantivemo-nos fiéis à nossa identidade.
Por outro lado, olhamos para o futuro Diário do Minho. Desejamos um jornal inovador, um instrumento sólido na construção de uma sociedade mais humana e de uma Igreja mais atenta e comprometida.
Obrigado, por fim, a todos os leitores que acompanham diariamente o Diário do Minho. Sois a razão de existência deste jornal e é por vocês que queremos ser cada vez melhores. Obrigado!
Autor: D. Jorge Ortiga