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O peso das escolhas começa na infância

Hoje, temos um grave problema de saúde pública: a obesidade entre crianças e jovens. A infância e a juventude são etapas determinantes no desenvolvimento físico, intelectual e emocional, pois, é nestas idades que se constroem hábitos, comportamentos e escolhas que tendem a acompanhar-nos ao longo da vida. Entre eles, a alimentação e o Desporto assumem papeis fundamentais, não apenas no crescimento saudável, mas também na qualidade de vida e no bem-estar. É a falta de atividade física e, de forma significativa, uma alimentação desregrada, que poderão hipotecar um futuro saudável. 

A facilidade de acesso a produtos ultraprocessados e altamente calóricos, a publicidade, o marketing das embalagens e a influência dos hábitos familiares contribuem para que, muitas vezes, a alimentação, nutricionalmente, seja muito fraca. O consumo excessivo de açúcar, sal e gorduras saturadas, associado a uma reduzida ingestão de fruta, legumes e outros alimentos nutricionalmente importantes, constitui uma preocupação que ninguém pode ignorar. Na infância, uma alimentação equilibrada é essencial para assegurar o crescimento, o desenvolvimento cerebral e o fortalecimento do organismo. Na adolescência, período marcado por profundas alterações físicas e hormonais, as necessidades nutricionais alteram-se e aumentam, tornam-se particularmente importantes. Uma alimentação inadequada pode comprometer a saúde, a concentração, o rendimento escolar e até a disposição para a prática de atividade física. Claro que as famílias têm um papel decisivo na criação das rotinas e na transmissão de bons hábitos. A escola, enquanto espaço educativo por excelência, tem assumido uma função ativa, promovendo conhecimentos e comportamentos que permitam escolhas mais conscientes e refeições equilibradas, mas que são tantas vezes contestadas, porque “o meu filho não gosta de fruta, sopa ou legumes” … 

Educar também significa dar o exemplo, mesmo quando isso implica alterar rotinas e abdicar de algumas facilidades. Os jovens têm que compreender a importância da tríada: alimentação, o exercício físico e o descanso, como três dimensões fundamentais para um estilo de vida saudável. Importa, contudo, perceber que educar para uma alimentação saudável não significa proibir, culpabilizar ou transformar estas condições num drama. Significa ensinar a escolher. Mais do que discursos, precisamos de exemplos, de educação alimentar e de políticas que valorizem a saúde desde os primeiros anos de vida, no campo e na mesa. 

Não podemos esperar que os adultos façam escolhas saudáveis se, enquanto crianças, não lhes ensinarmos a importância dessas escolhas. Porque a prática de atividade física e a alimentação não são apenas necessidades biológicas: são um ato de educação, prevenção e responsabilidade coletiva. Não basta querermos crianças saudáveis; temos de criar ambientes, exemplos e oportunidades que lhes permitam crescer saudáveis.

Carlos Dias

Carlos Dias

6 novembro 2026