Começa o mês de Novembro, o penúltimo do ano, e nele, a Igeja faz-nos recordar de um modo muito explícito, aquilo que, por vezes, nos custa aceitar, sobretudo se a vida nos corre dum modo favorável, ou, egoisticamente, não a enfrentamos com genuína coragem: “Aqui não temos morada permanente” (Heb. 13.14).
Esta frase lembra-nos uma realidade que sempre nos perturba e nos faz meditar na nossa condição de seres humanos, que não podem durar sempre aqui na terra. Efectivamente, a passagem dos dias e dos anos, marca o nosso corpo de modo indiscutível, fazendo-nos sentir, com objectividade inevitável, que vamos perdendo muitas das qualidades e possibilidades de que éramos capazes de evidenciar na nossa vida mais jovem, incluindo a de adulto maduro.
Não é raro ouvirmos falar de um amigo nosso que, com o envelhecimento, perdeu muitas qualidades. E mais ainda: alguns, a partir de um certo momento, começam a manifestar limitações e dificuldades nas suas relações quotidianas e, também, na forma de pensar ou de se encarar com a própria realidade que os circundam.
Há pouco, alguém recordava que a vida de um jogador de futebol, faz-nos ver, de modo indiscutível, que o nosso corpo começa, a partir de certo momento, a não corresponder às exigência de esforço que essa sua actividade exige. Certamente, entre os profissionais deste desporto, há maior ou menor capacidade de resistir às suas exigências. E alguém apontava para o caso de um célebre jogador, Cristiano Ronaldo, que parece resistir de forma tão chamativa e notável, à passagem dos anos, dado que, com a sua idade, que já superou os quarenta, continua a ser um bom elemento duma equipa relevante.
Mas se esta realidade é clara entre os profissionais do desporto, o mesmo acontece na vida quotidiana dos cidadãos da nossa sociedade. O envelhecimento chega e toca a todos, mais tarde ou mais cedo, privando-os, no corpo e no espírito, de manterem perpetuamente as mesmas forças e capacidades.
Ou seja: a nossa vida actual apresenta-se-nos como uma realidade que não é perpétua. Do princípio ao fim da nossa existência, ela aponta-nos que, aqui, somos apenas seres de passagem, o que significa que o nosso fim, como seres viventes, tem na terra uma duração limitada. Por isso, a Igreja ensina-nos que a morte corporal não é o nosso ponto final. Por vontade divina, cada ser humano foi criado com uma alma imortal, que nos faz continuar a existir por toda a eternidade.
E também nos recorda que a nossa oração não deve esquecer-se, nomeadamente neste mês de Novembro, das almas dos nossos semelhantes que partiram deste mundo, tendo em conta que nem todas já conseguiram entrar na felicidade celestial, pois necessitam de se purificar no Purgatório. Deus está aberto ao mérito das nossas preces por essa intenção, porque o seu amor por todos nós é tão grande e perdoador (lembremos, a propósito, o perdão até setenta vezes sete (Mt 18,31), ensinado por Cristo a S. Pedro), que sempre tem presente o desejo de que todos os homens participem no Céu da felicidade eterna, que Ele lhes pensa proporcionar.