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LEADER: a política que transforma territórios

No próximo dia 30 de outubro, Vila Verde acolhe a Conferência Nacional «LEADER - a política que transforma territórios», promovida pela Federação Minha Terra, entidade representativa dos Grupos de Ação Local (GAL) que atuam em Portugal continental e nas regiões autónomas.

Mais do que um momento de reflexão, esta iniciativa constitui uma oportunidade para reafirmar a importância de uma política pública que, ao longo de mais de três décadas, tem contribuído para valorizar os territórios rurais, dinamizar as economias locais e encontrar respostas ajustadas às necessidades das comunidades.

Criado em 1991, o LEADER, através de um Programa de Iniciativa Comunitária, nasceu de uma ideia simples e transformadora: as pessoas foram colocadas no centro das estratégias de desenvolvimento local poque ninguém conhece melhor um território do que as pessoas que nele vivem. O desenvolvimento deve, por isso, partir das comunidades, envolvendo empresas, instituições, associações e cidadãos na definição de prioridades e na concretização de projetos capazes de gerar valor e criar oportunidades.

Apesar das mudanças nos modelos de financiamento e enquadramento europeu, esta abordagem mantém a sua essência: promover um desenvolvimento de proximidade, participativo e integrado, valorizando os recursos locais e estimulando o empreendedorismo, a inovação e a cooperação.

Esta visão ganha particular relevância perante os desafios do mundo rural português. O despovoamento, o envelhecimento da população, a escassez de investimento e a dificuldade em atrair e fixar jovens não podem continuar a ser encarados como inevitabilidades. A estes problemas juntam-se a perda de serviços, de emprego e de condições que permitam às comunidades rurais construir o seu futuro.

As consequências vão além dos números. Quando desaparecem pessoas, perdem-se atividades económicas, saberes tradicionais, relações de vizinhança e formas de cuidar do território. A paisagem humanizada, moldada por gerações de trabalho agrícola e florestal, fica mais vulnerável ao abandono. O país perde património, identidade e diversidade, enquanto se acentuam os desequilíbrios entre os espaços urbanos e rurais.

É neste contexto que importa reconhecer o papel dos Grupos de Ação Local. Pela proximidade às populações e pelo conhecimento das realidades locais. Estes Grupos têm apoiado pequenos negócios, promovido o empreendedorismo, valorizado produtos e recursos endógenos, dinamizado o turismo sustentável e contribuído para diversificar as economias rurais. O seu impacto não se mede apenas pelo investimento realizado, mas também pela capacidade de mobilizar comunidades, gerar confiança e transformar ideias em projetos concretos.

Contudo, a dimensão dos desafios exige uma resposta mais ambiciosa. Não basta reconhecer a importância dos territórios rurais: é necessário garantir instrumentos financeiros adequados, previsíveis e proporcionais às suas necessidades. O desenvolvimento não pode depender de apoios insuficientes, ciclos de financiamento limitados ou procedimentos que dificultem o acesso dos pequenos promotores. É fundamental reforçar o investimento, simplificar processos e assegurar que os recursos chegam a quem pode transformar as comunidades.

A Conferência de Vila Verde deverá, assim, constituir um espaço de análise, debate e construção de propostas para o futuro do LEADER e dos territórios rurais. O reforço do financiamento, a continuidade dos apoios, a autonomia das estratégias locais e a criação de condições para que os jovens possam viver, trabalhar e investir no mundo rural são questões centrais. Atrair investimento, apoiar pequenas empresas, valorizar os produtos locais e melhorar a qualidade de vida devem ser objetivos inseparáveis.

A coesão territorial não se constrói apenas com grandes obras ou decisões tomadas à distância. Constrói-se também através de milhares de iniciativas de proximidade, de empresas que criam emprego, de associações que mantêm vivas as comunidades e de pessoas que escolhem permanecer ou regressar às suas terras. Para que essas escolhas sejam possíveis, são essenciais oportunidades de trabalho, serviços, conectividade, habitação e perspetivas de futuro.

O LEADER é, por isso, muito mais do que um instrumento de financiamento. É uma forma de pensar o desenvolvimento, valorizar a participação das comunidades e reconhecer que não existe um país verdadeiramente coeso quando uma parte significativa do seu território fica para trás.

No dia 30 de outubro, em Vila Verde, importa transformar esta convicção num compromisso coletivo. A Conferência promovida pela Federação Minha Terra deverá reforçar a voz dos territórios rurais junto das instituições nacionais e europeias, afirmando a necessidade de uma política de desenvolvimento rural mais forte, próxima e devidamente financiada.

Investir no mundo rural não é apenas apoiar territórios que enfrentam dificuldades. É investir na sustentabilidade do país, na preservação da paisagem, na valorização do património e na criação de riqueza e oportunidades para todos.

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José da Mota Alves

27 outubro 2026