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Incompreensão...

Aguardando a chegada do autocarro na paragem do Carmo em Merelim São Paio e para “matar” o tempo de espera, vou seguindo, com alguma surpresa, o movimento frenético dos carros na EN-201. Penso, de imediato, no preço dos combustíveis. É inevitável! O tráfego, nesta hora da manhã, é intenso. Nos dois sentidos. A pergunta, daí, surgir com toda a naturalidade, dada a incompreensão de tanto azedume manifestado pelos automobilistas e por comentadores da praça a propósito dos sucessivos aumento dos carburantes. Tanto queixume e tanto carro ligeiro na rua a “queimar” gasolina! Muitos deles sem necessidade. Que coerência é esta? Os que poderiam usar transportes públicos, por que razão não prescindem da sua viatura?

 

1 - A verdade, é que, nada faz retirar o volante das mãos dos condutores. Ninguém está disponível a prescindir desta comodidade. Custe o que custar. Esteja o litro ao preço que estiver. Uma certeza, contudo: não serão mais uns cêntimos acrescentados à exorbitância do litro que fará encostar os carros. Isso é certo! O excesso de carros a circular é um problema? Sim, é um grande problema ambiental e social. E económico e familiar.

A revolta do elevado preço dos combustíveis e dos constantes aumentos semanais funcionam como desculpas esfarrapadas para justificar muitos comportamentos pessoais; para servir de arma de arremesso político; para os comentadores lançarem mais lenha para a fogueira social.

 

2 - Não pretendo desvalorizar o impacte negativo na economia, na funcionalidade e na estabilidade financeira das empresas de camionagem, de transporte de passageiros e de empresas de prestação de serviços sociais, como os Bombeiros, IPSS’s e ainda outras instituições de carácter social, muito dependentes dos preços do petróleo. Esta conjuntura está em linha com o estado miserável do mundo actual. Que fazer com tantas guerras e ódios por todo o lado? Os resultados só podem ser: destruição e morte. Ameaças e insanidade mental. Insensibilidade e estupidez nas lideranças dos países bélicos. Neste cenário, a insegurança reina e a Paz, tão falada e desejada, é uma autêntica miragem, apesar dos apelos constantes do Papa e de pessoas de nome e de bem. A ONU deixou de ser o farol de apaziguamento. É hoje o exemplo irreconhecível de concórdia e de reunião pacífica entre povos e nações.

 

3 - Convém voltar à reflexão dos preços dos combustíveis, pois é o tema que me trouxe aqui. Consideremos, por exemplo, o município bracarense. O município tem uma empresa de transporte público – TUB – que serve todas as freguesias do concelho. A empresa, é reconhecido, tem uma frota de autocarros já de boa qualidade e com horários estudados para servir todos os passageiros – estudantes, trabalhadores – de modo a dar uma cobertura capaz a toda a gente. Mesmo com a subida de utentes nos transportes, ainda está muito longe de atingir as metas desejadas. Outro exemplo, refere-se ao estacionamento de viaturas na cidade. É pago e bem caro e os lugares disponíveis para estacionar são escassos. Como se compreende? Ainda outro exemplo. Os parques de estacionamento para os funcionários da Câmara Municipal, penso que é de borla, está esgotado com dezenas e dezenas de lugares. A maioria esmagadora dos funcionários são residentes no concelho. Por que razão estes não utilizam o transporte público? Outros exemplos poderiam ser dados.

 

4 - No caderno de promessas eleitorais de João Rodrigues consta uma medida, por acaso, já usada em alguns municípios nacionais: passes gratuitos aos bracarenses. Boa promessa e melhor medida, desde que não se ponham em risco as finanças municipais. Incrementada teria como meta ajudar a retirar muitos carros da cidade. Tenho dúvidas! Porém, seria vantajoso para a qualidade do ar e para a qualidade de vida dos citadinos. E da periferia, pelo menos.

 

5 - O preço dos combustíveis gera manifestações contra o governo. Porquê? Para baixar o IVA? Para reduzir o ISP? Para taxar as petrolíferas? Que culpa tem o governo do petróleo atingir a fasquia superior a 100 dólares o barril? O que se passa é muito mais “coisa política” do que “coisa meramente económica”. E os políticos, os mesmos do que costume, levantam a poeira só para criar uma nuvem aparente de incómodo para apanhar alguns desprevenidos empoeirados.

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

27 setembro 2026