No artigo anterior, desmontei alguns bicho-papões contra o capitalismo. Este artigo foca-se na relação entre capitalismo e desigualdade.
É falsa, a ideia de que o capitalismo é gerador de desigualdades. O capitalismo permite desigualdades nos rendimentos, como todos os sistemas permitem – incluindo o socialismo. Mas na prática, o capitalismo é o único modelo económico em que os mais pobres prosperam ao longo das décadas. Foi o que aconteceu na Europa do Norte no seu período pré-socialista, e.g., 1870-1920 – um período de grande liberdade económica. Todas as alternativas socialistas são assistencialistas e geram dependência – da política assistencialista e dos poderosos que controlam o Estado.
O coeficiente de Gini, um indicador internacional que mede a desigualdade numa escala de zero (igualdade total) a um (desigualdade máxima), demonstra-o com clareza: os países com maior liberdade económica tendem a ser mais igualitários, enquanto as nações economicamente mais reprimidas registam frequentemente níveis mais altos de desigualdade.
Uma característica fundamental do capitalismo e do mercado livre é o facto de ser um modelo descentralizado. Neste aspeto, situa-se nos antípodas do socialismo, que se baseia na crença de que um reduzido grupo de planeadores centrais consegue lidar com a extrema complexidade de uma sociedade moderna; e acredita que esse grupo é capaz de definir e governar, ao detalhe, a vida de milhões de indivíduos; que sabe atualizar atempadamente leis, organismos e empresas (como a TAP) à ininterrupta e rápida evolução do mundo; e que governará sempre a pensar no bem público, e não em si próprio ou nos seus compadres.
O socialismo apresenta muitas diferenças de resultados no que toca à desigualdade. Em particular, permite desigualdades que são impossíveis no verdadeiro capitalismo. Vemos um exemplo claro em Portugal, um país com um forte pendor socialista e intervencionista: os cidadãos são obrigados a entregar, via impostos, quantidades colossais do seu dinheiro a empresas falidas como a TAP e a Efacec. Quando o Estado elimina o risco de negócio para alguns à custa do esforço de todos, cria a mais pura das desigualdades: uma elite protegida das forças do mercado e da concorrência à custa do cidadão comum. O capitalismo não consiste apenas na livre criação de empresas, mas também em deixá-las fechar sem nos obrigarem a dar-lhes o nosso dinheiro, pois caso contrário geram-se injustiças e ineficiências.
No Mundo real, tem de haver desigualdade. Se pensarem um pouco no que implica uma igualdade total, entre todos, repararão que é algo utópico e indesejável. Cada um de nós tem opções distintas. Cada um de nós tem talentos e apetências diferentes. Alguns escolhem ter dois empregos enquanto que outros preferem praticar desporto. Mesmo que uma total igualdade fosse possível (não é), uma sociedade assim seria um pesadelo totalitário, onde não haveria lugar para o mérito – e não respeitaria o direito à diferença e a dignidade humana. É por isto que se pode afirmar que se verifica uma superioridade moral do capitalismo sobre todos os outros modelos económicos e de sociedade, incluindo o socialismo – pois é apenas sob as suas condições, que as pessoas se tornam ricas sem que isso se deva a privilégios ou compadrio.
Para terminar, vale a pena notar a falácia das tentativas estatais de "corrigir" a desigualdade através de políticas fiscais agressivas. A evidência empírica demonstra que o assistencialismo punitivo não retira as pessoas da pobreza; limita-se a cristalizá-la. O caso português é paradigmático: há décadas que as regras fiscais estão voltadas para a redistribuição. Porém, o resultado não foi a eliminação do risco de pobreza, mas sim o empobrecimento coletivo.