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Uma estratégia (falhada) para buscar o poder?!

Acredito que sim. O PS faz-me sorrir. Já não é de agora. É um partido que teve todas as condições – maioria absoluta, centrais sindicais – UGT e CGTP – caladas e controladas, a extrema-esquerda inactiva, uma oposição ferida pelo golpe de 2015, muita propaganda com as reversões, reposições e devoluções, etc - para resolver os problemas do país. A geringonça falhou. Costa falhou. O PS falhou como falhou sempre que teve o poder na mão. Daí, eu não levar este partido a sério, porque este partido também não leva os portugueses a sério. Só pensa nos seus. E no poder. Não aceita estar na oposição. E também não sabe lá estar. Dói-lhe a alma e ouve resmungos de todo o Rato. É claro que o partido nada aprendeu e ainda se julga com aquela arrogância típica da esquerda soarista, o pai fundador da democracia, do SNS, da Escola Pública, do Estado Social, das lutas laborais, das desigualdades, da solidariedade, das boas causas, enfim, dos avanços do país. E, depois, deste caldo todo e para ornar o ramalhete, ninguém lhe pode dar lições de moral! 

1 - Quando os neo-socialistas estão na oposição, inventam logo “mecanismos” políticos para tentar agregar tudo e todos num determinado “projecto” para voltar o mais rapidamente ao poder. Não escolhem a clientela. Isso pouco importa. Quem vier, com resquícios de esquerda, seja do PSD, do Livre, do Bloco de Esquerda, do PCP é para se juntar ao molho. A verdade é que não se conformam, de modo nenhum, com o estado decadente em que se encontra o partido no momento. O estar longe do poder, representa uma enorme e insanável chatice interna com as várias tendências a picarem-se. Como é próprio do partido, esquece-se que é a terceira força no Parlamento e com óbvia inclinação para continuar a escavar a sua própria irrelevância. 

2 - No tempo da governação de Cavaco Silva, esteve o PS na travessia do deserto político dez anos. Dez anos é uma eternidade para quem está obcecado pelo poder. Para quem está dependente do poder. Para quem tem de alimentar um séquito de pajens sempre ávido de mordomias. Foram dez anos a aferir a escolha da metáfora “da espada e da parede”. Escolheu Guterres a “espada”. Tomou o poder. Foram seis anos a gerir as duas minorias com o “negócio do queijo limiano” pelo meio. Acabou mal como era de esperar. O pântano foi o fim.

3 - Guterres criou os “Estados Gerais” para juntar os desavindos. Para debater estratégias e delinear promessas. Para construir uma alternativa viável ao poder. Conseguiu, não por mérito da estratégia encetada, mas por desgaste fortíssimo de uns tantos governantes da AD de Cavaco Silva que provocaram danos irreparáveis na governação. Há gente que não pode assumir cargos do Estado. Cobiçam os bens alheios e comem lentilhas indigestas para juntar uns bons cobres na sua conta pessoal. São fracos por natureza. Essa gente até é capaz de vender a alma ao diabo e com muita facilidade. Esses não interessam a ninguém. Muito menos ao país.

4 - Chegou a altura do PS arrancar com um novo “mecanismo”, já é o terceiro, para tentar tomar o poder, porque está a ver o cenário de poder pela via eleitoral um pouco enegrecido. O PS está mesmo fora desta equação. Desta vez, foi um jotinha, muito ligado a Pedro Nuno Santos, Miguel Costa Matos (MCM), activista, que não se conforma com a apatia da liderança do Rato. Avançou este rapazito parlamentar com uma ideia genial:“criar o Instituto Progresso”. Para quê? Para juntar vontades tipo arco-íris. Umas, já cansadas e carcomidas; outras, derrotadas por duas vezes consecutivas. Personalidades requentadas e vazias que nada deram ao país no tempo que tiveram o poder na mão. A ideia de MCM está condenada ao fracasso, pois já não estamos nos anos noventa, em que o nome “socialismo” capitalizava votos. Esse tempo é mesmo passado. Hoje o nome “socialismo” é uma desgraça. Uma menos-valia que afasta votos. Nenhum jovem se associa a esta corrente retrógrada, fantasiosa e irresponsável. 

Miguel Costa Matos deveria propor, antes, momentos de reflexão. De exercícios de responsabilização para activar a memória e fazer retiros de boa consciência. São estes os tópicos que fazem imensa falta aos neo-socialistas. E depois ..., cumpridas as tarefas, apareçam!

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

21 setembro 2026