Sara Morse, que cresceu nos EUA – e por ter sido despedida sem recurso na Arbroath High School, Angus, Escócia, por expressar a sua opinião junto dos Alunos de 14/15 anos contra o aborto declarando inclusive que seria bom haver outras opiniões –, acaba de processar judicialmente, e bem, a sua ex-Escola Secundária por discriminação e violação de liberdade de expressão. Numa aula de História, os Alunos começaram a fazer uma série de perguntas durante cerca de 20 minutos. Ainda que o tema da aula fosse criticar o Hitler. V.g.: aborto, teoria do género, transsexualidade, Donald Trump, imigrantes e outros aspectos do estilo de vida nos EUA. Morse, 66, em 19/11/25, foi objecto dum interrogatório que agora lhe parece ter sido previamente armadilhado. Pareceu uma ratoeira ideológica extremista. Proteger a vida humana é uma das incumbências mais sagradas de todas as sociedades. Pelo que, as opiniões sobre o aborto não devem ser tratadas como questão só técnica, individual ou burocrática. Temos que considerar uma realidade humana concreta e definida: a existência dum ser em desenvolvimento, frágil, silencioso e dependente em absoluto. Ainda que as circunstâncias que envolvem uma gravidez sejam complexas, dolorosas ou surpreendentes, a resposta duma Sociedade Humana não deve ser exterminar a vida mais frágil, mas sim tutelar, amparar e oferecer alternativas reais. Alternativas atraentes e práticas. Ser contra o aborto não é ignorar o sofrimento de muitas mulheres. É antes reconhecer que uma mulher grávida que está com medo, abandonada, isolada, pobre (ou rica!), sujeita a pressão familiar ou instabilidade emocional, necessita de apoio, não duma solidão que mata parte de si própria. Amiúde, o aborto parece um produto de venda rápida perante um problema intrincado. Porém, vai deixar marcas profundas, psicológicas, afectivas e físicas. Assim que a mulher se depara com a artificial construção de que abortar a gravidez é a única saída possível, a sociedade falha. E as redes de apoio? Médicos, psicólogos? Ajuda económica e social, na lei do emprego e do trabalho, no acolhimento familiar, no próprio Humanismo? A vida humana não é uma conveniência. A vida humana não depende das circunstâncias ambientais ou da aceitação dos outros. De contrário passaria a ser uma variável não-universal e matemática. A vida humana em gestação é frágil e invisível, mas a sua dependência não diminui o seu valor. É ainda maior a responsabilidade de quem tem a vida de outrem nas mãos. E a vida humana não é propriedade de ninguém. A sociedade justa mede-se pelo modo como trata os mais desprotegidos. O nascituro não pode defender-se, chamar o 112 ou gritar por socorro. A sua protecção é de coragem moral. É fácil defender quem tem voz. É difícil defender quem não a tem. Ora, é mesmo aqui que se centraliza o núcleo duro dos mais fundos Direitos Humanos. Ser contra o aborto não é ser contra a liberdade das mulheres. A liberdade é responsabilidade, solidariedade, procura de soluções que salvaguardem a dignidade de todos os envolvidos. A mulher merece respeito, o nascituro e a criança merecem protecção. A sociedade não pode abandonar nenhum dos dois. O “aborto livre” é um utilitarismo de “conforto” ou conveniência social. Nesta senda, passam a existir vidas menos dignas do que outras. Uma mentalidade selectiva, eugénica, onde os deficientes, pobres, doentes, desfavorecidos, devem ser eliminados à partida. Mas exterminar os mais vulneráveis, em vez de acolher, é uma pobreza ética, deontológica e moral. Ainda que se evoquem, como se fosse uma ópera, argumentos técnicos ou de suposta compaixão. Será que a morte D’Outrem é a melhor solução para a violência, doença, miséria, abandono? A cultura de vida é profundo Humanismo. Nenhuma mulher pode ser abandonada, é preciso apoiar a maternidade, proteger as famílias, ajudar a adopção justa, prevenir e acabar com a pobreza, melhorar os salários, responsabilizar os pais. Alma, Habitação, Escolas, Hospitais, Instituições, Informação, Esperança! Ser fraco não dá licença para matar. Que sociedade? Matar o medo pelo extermínio da vida? Ou apoio e protecção concretos? Apostar numa bolsa de vida e morte negociáveis? Ou cada ser humano começa na gestação como aliás provam as ciências que já conseguem até captar sorrisos e choro na 24ª semana ou até antes? O que é melhor? Suprimir uma vida inocente ou criar dignidade essencial para a Mãe e Família? Aborto-solução? Ou acolhimento, responsabilidade, solidariedade, esperança? Em caso de violação, perigo de vida para a Mãe ou mal-formação do feto, é possível o aborto em Portugal.
Profª Católica Sara Morse despedida por falar contra o aborto!
Gonçalo S. de Mello Bandeira
7 agosto 2026