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A Área Metropolitana do Minho é mais do que uma reforma: é uma afirmação de futuro

Há decisões políticas que marcam uma geração. A criação da Área Metropolitana do Minho é uma delas.

Durante demasiado tempo, o Norte habituou-se a viver dividido entre duas realidades: uma Área Metropolitana do Porto cada vez mais robusta e um Minho que, apesar da sua reconhecida força económica, industrial, académica, científica, social e cultural, continua excessivamente fragmentado. Essa fragmentação tem um custo. Traduz-se em menor capacidade de influência, menor peso político, menor competitividade e, sobretudo, em oportunidades perdidas.

É precisamente por isso que o passo dado por Braga e Guimarães merece ser visto muito para além das fronteiras dos seus concelhos. A proposta de criação da Área Metropolitana do Minho não deve ser entendida como um projeto de duas cidades, mas como o início de uma nova visão para toda a região.

Durante décadas, Braga e Guimarães habituaram-nos a uma rivalidade histórica, tantas vezes alimentada por um legítimo orgulho identitário. Ao decidirem construir em conjunto um projeto estratégico para o Minho, dão hoje um exemplo de maturidade política e de visão institucional. Demonstram que, no século XXI, a cooperação vale mais do que a competição e que os territórios mais fortes são aqueles que sabem unir-se em torno de objetivos comuns.

A maior notícia desta iniciativa não é, por isso, apenas a criação de uma Área Metropolitana. É a mudança de paradigma que ela representa. Quando dois dos maiores polos urbanos do Norte escolhem cooperar em vez de competir, estão a abrir um caminho que todo o Minho deve acompanhar.

O Minho não precisa de provar que tem dimensão metropolitana. A sua capacidade industrial, exportadora, científica e empresarial demonstra-o diariamente. É aqui que se concentra uma das mais importantes bases industriais do país, um tecido empresarial altamente competitivo, universidades de excelência, centros de investigação, empresas internacionalizadas e uma identidade cultural que constitui um dos maiores ativos de Portugal.

O que falta ao Minho não é capacidade. Falta-lhe escala política.

Enquanto outras regiões falam a uma só voz, o Minho continua demasiadas vezes a apresentar-se dividido. E, na política, quem fala dividido dificilmente consegue fazer-se ouvir.

O Alto Minho, em particular, não pode olhar para este processo com distância ou hesitação. Deve assumir um papel ativo desde o primeiro momento. Não para seguir Braga ou Guimarães, mas para ajudar a construir uma solução verdadeiramente minhota, onde todo o território tenha voz, influência e capacidade de decisão.

Quem ficar de fora da construção deste projeto dificilmente participará na definição das suas prioridades.

Temos, aliás, um exemplo bem-sucedido daquilo que a cooperação territorial pode alcançar. O Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galiza–Norte de Portugal demonstrou que é possível unir diferentes territórios em torno de objetivos comuns sem que ninguém abdique da sua identidade. Pelo contrário, a cooperação reforçou a capacidade de captar investimento, desenvolver projetos estratégicos e afirmar uma posição política mais forte junto das instituições europeias.

É essa ambição que deve agora inspirar o Alto Minho.

Num tempo em que os grandes investimentos, os fundos europeus e as decisões estratégicas privilegiam regiões organizadas e capazes de apresentar estratégias comuns, persistir na lógica do isolamento seria um erro histórico.

Não está em causa criar mais uma estrutura administrativa. Está em causa criar uma nova capacidade de influência, uma estratégia comum de desenvolvimento e um novo patamar de afirmação territorial.

O verdadeiro adversário do Minho e do Alto Minho nunca foi Braga nem Guimarães. Sempre foi a fragmentação. E essa é a barreira que esta iniciativa começa, finalmente, a derrubar.

O futuro não perguntará quem liderou este debate. Perguntará quem teve a visão de construir uma região mais forte. Porque, quando o Minho fala a uma só voz, deixa de ser apenas uma região do Norte para afirmar-se como um dos principais motores do desenvolvimento de Portugal.

José Alfredo Oliveira

José Alfredo Oliveira

1 agosto 2026