Com alguma regularidade vemos aparecerem notícias envolvendo questões com pessoas mais velhas, isto é, com mais de 65 anos, numa designação já consagrada: problemas de orientação, quezílias familiares, falta de rendimentos, tribulações de saúde (decorrentes da idade e, ultimamente, de teor psicológico-mental), enquadramento social, referências económicas (em especial pela ausência de meios), cuidados em final de percurso… Esta pequena resenha de assuntos faz dos (mais) velhos uma etapa etária fragilizada e em sobressalto.
1. Deficiente ou má velhice é algo que preocupa (ou deve) quem tenha já ultrapassado aquela idade de viragem. Depois da (dita) reforma – há setores que preferem dizer: aposentação – emerge uma infinidade de problemas, sendo os da assistência social e de saúde os mais graves ou agravados. Recorrentemente surgem notícias de ‘lares’ ilegais, onde as pessoas são menos-bem-tratadas – uma espécie de eufemismo para camuflar maltratadas – e se fazem todas as acusações, deixando de fora os principais culpados: os familiares, tenham o grau de parentesco que possam exibir. Com efeito, os ditos ‘lares’ (mais recentemente designados de ‘estrutura residencial para idosos’) – muitos deles rotulados de ‘ilegais’ – são a solução mais barata para enclausurar os mais velhos, que já não têm lugar na família e, na maior parte dos casos, atrapalham a vidinha daqueles que deveriam ser os seus cuidadores, pois, surgirão como abutres na hora do falecimento... Vi – por experiência de ter estado como responsável (sem preparação adequada, confesso) durante catorze anos num desses lares, mas legal – múltiplas situações degradantes e mesmo aberrantes de pessoas que só reconheceram os seus parentes após a morte... à cata da herança.
2. As questões são complexas, tanto mais que, atualmente, no nosso país há 2,5 milhões de pessoas com mais de 65 anos, representando já 24,3% da população. Em relação aos ditos jovens existe quase duas vezes o número de velhos. Se a isto acrescentarmos que mais de meio milhão destes idosos vivem sozinhos, teremos um panorama sombrio, senão tenebroso...
Neste contexto, ao nível da União Europeia, somos o quarto país com maior percentagem de velhos sós. Se colocarmos ainda na grelha de avaliação as condições de saúde teremos algo muito complicado com a pressão que isto faz sobre o sistema de saúde (público, privado ou social), surgindo neste campo propostas variadas e quase discrepantes, tendo em conta os meios económicos anteriores ao tempo de velhice.
Segundo um relatório recente sobre ‘envelhecimento e saúde’ podemos recolher os dados seguintes:
- A população idosa portuguesa apresenta particular vulnerabilidade face a alguns aspetos sociais e económicos (como a situação de coabitação, escolaridade e nível económico), com uma participação social inferior à média europeia;
- Os indicadores sugerem que as mulheres idosas em Portugal vivem mais tempo, mas com pior estado de saúde. Também são as mulheres que estão em maior risco de pobreza e de exclusão social;
- As doenças não transmissíveis são as que mais contribuem para a perda de qualidade de vida na população idosa portuguesa, com elevada contribuição quer para a carga de doença, quer para a mortalidade neste grupo populacional.
3. Detetadas as consequências quais podem ser as causas?
Antes tudo esta questão dos idosos (velhos na melhor designação social e psicológica bíblica) é um tema da família e só depois do Estado. Atendendo à longevidade não seria de começar a investir mais para este setor do que para outros em franco colapso?
Dados os custos das pessoas em ‘erpi’ – andará pelos 1.700 euros por pessoa – não será preferível permitir que as pessoas possam estar em suas casas, sem as desenraizar e confundir, colocando novamente a família como principal destinatário dos apoios e não as instituições, por muito ‘boas’ que possam parecer?
Tendo em conta os baixos recursos das pessoas mais velhas como poderemos fazer delas o centro das soluções e não a causa dos problemas, como tantas vezes é veiculado?
4. O que fizermos aos velhos de hoje nos farão a nós amanhã.