Quer seja uma figura, marca, objeto físico ou cântico de louvor que tenham significado convencional, cada um deles pode constituir-se num símbolo coletivo de veneração e respeito. Como, por exemplo, a Bandeira e o Hino Nacionais. Pois, para além de nos identificarem como Nação, são quem une todo o povo português.
Assim, entendo que seria de bom senso não pôr à disposição nos mastros dos edifícios públicos outro artefacto, que não seja o da bandeira portuguesa (ou da União Europeia, por sermos seu membro). O mesmo devendo acontecer com as heráldicas nas Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia do nosso país. E não bandeiras ou faixas de pancada ideológica, ou de outra índole, por mais justas que sejam as causas ou as pretensões dos grupos que as divulgam.
Ora, como o Estado português foi declarado laico, foram varridos das escolas os crucifixos, como se de algo maldito e desumano se tratasse. Aí, não houve alma alguma que se opusesse a tal medida. Aliás, tal como o fez S. Pedro que, ao primeiro sinal de perigo pessoal, negou três vezes o seu grande amigo Jesus Cristo. Tendo sido a partir da indiferença daqueles que O deviam defender que se instalaram no ensino os movimentos ditos de cariz humanista, mas que apenas visam fins político-ideológicos, ou fraturantes.
Aos poucos, a onda do anticristianismo que vem varrendo toda a Europa chegou cá. Estando patente nas posições de apoio que certos políticos e algum povo, afeto a determinadas forças radicais, lhe conferem. Daí, o progressivo desaparecimento nos ornatos Natalícios de figuras como a Sagrada Família e outros símbolos alusivos ao nascimento do Menino Jesus. O mesmo sucedendo em algumas festas e romarias, cujas Autarquias Locais evitam decorar os espaços da sua jurisdição com adereços religiosos. Bolas, rosetas, cornucópias e outras trivialidades vêm proliferando nas festas promovidas em honra dos Santos e Santas da Igreja Católica.
Pois bem, devo dizer ter ficado maravilhado com as ornamentações relativas às últimas festividades que a Cidade dos Arcebispos promoveu a S. João Batista. Mantendo a tradição que vem de outros tempos em que nas decorações Sanjoaninas espalhadas pelas avenidas e ruas da nossa cidade, sempre figurou a imagem do festejado emoldurada pelo tradicional fustão, manjericos e balões coloridos. Apraz-me dizer ter sido delicioso ver o Sãojoãozinho com o seu cordeiro ao pé, feito estátua, naquela que é a histórica sala de visitas bracarense, frente à Arcada.
Ali, não havia engano. Era mesmo ao Batista da Ponte a quem a festa dizia respeito. Mas a coisa foi mais longe, a Associação Organizadora dos festejos fez questão de incluir no menu de iluminações, e retratados em destaque, os Santos e Padroeiros da nossa Bracara Augusta que tanto têm protegido não só a ela, como à nossa ditosa pátria. Isto, sem esquecer a exibição da dança do rei David, do carro dos pastores e do das ervas.
Eu sei que tal decisão não foi do agrado de alguma gentinha que abomina tal simbologia. Porém, Braga orgulhosa de si e dos seus símbolos religiosos, não abdica da vertente da fé que vem orientando toda a sua vida. Não embarcando nessa onda woke, mas trazendo para a rua a tradição e a representatividade dos valores por que o nosso país, de maioria cristã, se vem regendo, apesar das investidas ateístas.
Mas não só. A novidade deste ano foi ter havido um forte empenho em vincar o carácter concelhio das festas, descentralizando-as pelas freguesias, embora com o epicentro festivo na sede do Concelho. Ademais, Braga contou com o regresso a das barraquinhas que não só foram alvo da curiosidade popular, como abrilhantaram o certame.
Posto isto, apraz-me constatar que a aposta na primeira mulher para presidir à Associação de Festas está ganha. E é através desta crónica que passo a endereçar o meu bem-haja à sua Presidente, Daniela Pereira, pela valorização da cultura tradicional imprimida à magnífica romaria do S. João de Braga de 2026.