Remanso. Quietude. Relaxe. Falar de férias: maravilhoso! Estar em férias: excelente! Descomprimir nas férias: uma necessidade! Tudo junto: maravilhoso, excelente, necessidade, é isto que faz falta para se falar, para se estar, para se descomprimir. Para carregar as baterias cansadas e exangues de canseiras e de aflições até. Muito stress a rodear a vida. Para se entrar de novo na azáfama de um tempo sempre cheio, exigente e apressado; para se atenuar as preocupações que povoam o quotidiano. Férias, momentos de nada fazer. De nada querer. De sentir o cheiro doce da calma. De deixar o tempo passar livremente. Férias, tempo de lazer simplesmente! Sem incómodos.
Silly season, os ingleses têm destas coisas. “Inventaram” um tempo para as palermices na política. Um tempo morno. Sem novidades para enfrentar e para confrontar os adversários. Nada avança, nada recua. Só alinhar na pasmaceira.
1 - É sempre reconfortante ver o tempo a ser desconsiderado. A ser ultrapassado na sua arrogância e perenidade. Nas suas imposições. Na sua marcha imparável para um fim certo. Estar de férias é dizer ao tempo que aqui, neste domínio, não manda. Que ninguém está para o aturar as suas birras. Em férias, ninguém lhe passa cartão. Nem tem, agora, capacidade e estatuto para impor horários. E definir regras. Também não pode obrigar ninguém a correr na sua ditatorial loucura.
2 - Férias é um tempo para se pensar em nada. Em nadinha. De viver ao lado de todas as chatices. Basta deixar correr o tempo, conforme está determinado. Não vale a pena andar a correr atrás do tempo para o acompanhar. Não vale mesmo a pena. É tempo perdido. A moleza “estival” tornou-se num poderoso inimigo da correria, das pressas, das angústias que o tempo exige e de forma implacável e perversa.
Férias sem bulício é mesmo preciso. Só contemplar o tempo a passar na sua lentidão tradicional. Naquele ritmo pachorrento do antigamente. Nas calmas. Sem acelerador automático. É o tempo de ver, só, as coisas pequenas. E de olhar a insignificante realidade humana, perante a grandeza da Natureza. Ao invés da sua significante brutalidade e irracionalidade.
3 - Contudo, os acontecimentos agitados e enlouquecidos surgem de geração expontânea. Um pouco por todo o lado, os silêncios são ferozmente esmagados pelo troar da metralha e pelos choros que se levantam. Pelo desespero, pela dor e pelas lágrimas já ressequidas das almas dilaceradas. Por toda o lado, em antítese ao “Pregão Divino” – Paz na Terra – os homens de má-vontade e de má consciência manifestam a sua “fúria épica” em acordos manchados e assinados com a arrogância que lhes correm nas mentes insalubres. Uns, lá longe, apreciam o chumbo nas baionetas; outros deliram com as palavras aldrabadas que fazem enrubescer as mentes ingénuas. E a brutalidade não mete férias.
4 - Visitemos o nosso “Cantinho”. Tudo para dar certo. Um “Cantinho” maravilhoso. Excelente. Tranquilo. Ainda apertado nos preconceitos ideológicos de um tempo inequivocamente ultrapassado. No momento, com demasiado ruído. Alguma confusão a estorvar. Vozes desafinadas a quererem marcar o andamento até o caminho se tornar estreito e tortuoso.
É tempo de se acertar o passo e de se pensar fora da órbita do ruído. O tempo das birras fortuitas esvazia o essencial, pois a vida retomará, por certo, o turbilhão na sua marcha indelével para se entrar de novo na algazarra da inconsequência. E o teatro de marionetes promete arrastar-se com cenas patéticas. Nem o silêncio é minimamente respeitado. Gentinha rabugenta apanhada pela silly season a precisar mesmo de férias para retemperar a mente desviada. Para entrar com o pé direito. É bem preciso. O silêncio e a sensatez agradecerão.