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Mamdani, o novo Ronaldo das finanças?

 



 


 

Já não bastava a saída atribulada do Banco de Portugal, Mário Centeno, um homem que quase foi Primeiro-Ministro não fora a paixão da Presidência de Marcelo pelas sucessivas dissoluções da Assembleia da República, está em vias de perder outro dos seus títulos mais prezados, o de Ronaldo das finanças. 

E, quem parece estar agora a assumir esse desígnio é o homem que governa a cidade em que o verdadeiro Ronaldo sonha em terminar a sua carreira internacional (o Estádio Metlife, casa dos New York Jets e dos New York Giants e que acolherá a final do Mundial de futebol, está, na verdade, geograficamente em Nova Jersey e não em Nova Iorque, mas isso é um mero detalhe). A Zohran Mamdani, Presidente de Câmara de cidade que nunca dorme e nova coqueluche da esquerda radical, não têm faltado elogios sobre a forma como magicamente apagou o défice de 12 mil milhões de dólares para este ano.

Poderíamos começar por falar de como Mamdani exagerou parte do problema para atirar as culpas de possíveis medidas impopulares para o seu antecessor, o caído em desgraça Eric Adams (uma tática política muito pouco original e da qual temos bons exemplos no nosso país, basta ver como Passos Coelho ou Mesquita Machado foram os culpados de todos os males do mundo, afortunadamente identificados por tais crimes, respetivamente, pela Geringonça e por Ricardo Rio), mas foquemo-nos na forma como este driblou a deficitária matemática de Nova Iorque. 

A maior fatia provém diretamente do orçamento estadual. Ora, através de apoios diretos ora recorrendo a pagamentos diferidos, o estado financia o município em cerca de 7,6 mil milhões, resolvendo quase dois terços do problema.

Ou, trocando por miúdos, imagine o leitor que, tendo uma dívida gigantesca, entrava em contacto com o seu tio rico e ele acordava em usar o seu próprio dinheiro para pagar a grande maioria do valor. Se isto o tornaria num génio das finanças ou num mero pedinte, deixo à sua consideração.

Mas, talvez pense o leitor que Mamdani precisa de tanta ajuda estadual porque ainda não teve a possibilidade de implementar umas das suas grandes promessas de campanha: a maior taxação do património dos nova-iorquinos mais ricos. Bom, a sua proposta teria um impacto previsto de 500 milhões de dólares anuais, isto é, resolveria 4% do problema (enquanto a intervenção estadual corresponde a 63%).

As outras poupanças para colmatar o que resta também merecem alguns reparos. Por um lado, a poupança de 1,75 mil milhões em custos de eficiência (por exemplo, com cortes nas horas extra desnecessárias) é elogiável, mas há um histórico de programas destes ficarem aquém do previsto do ponto de vista financeiro

Por outro, a extensão de prazos no pagamento de contribuições para fundos de pensão, correspondente a 1,6 mil milhões, pode ser boa para tesouraria de hoje, mas não deixa de ser um empurrar com a barriga do problema, deixando para os nova iorquinos do futuro a fatura de pagar as despesas dos de hoje.


 

Em suma, os primeiros meses de Mamdani ao leme de Nova Iorque foram maioritariamente inconsequentes (aliás, como seria de esperar) e este ainda não se revelou um mago das finanças, apenas um gestor que procura adiar os problemas até conseguir lidar com eles. Mamdani apresenta muitas ideias para a sua cidade (maioritariamente ideias comprovadamente más), mas, para o bem e para o mal, ainda estão quase todas por implementar. Por isso mesmo, para críticos e para discípulos, talvez seja melhor guardar as respetivas crucificação e beatificação para mais tarde.


 

*Membro da Assembleia de Freguesia da Vila de Gualtar. 

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José Batista

21 junho 2026