Regra geral, somos reácios na aprendizagem das lições da história. Às vezes, nem chegamos a principiar essa fundamental aprendizagem.
Devíamos incorporar que uma guerra raramente – ou nunca – termina com o desenlace pretendido por quem a suscitou. Para não fazer incursões fastidiosas pelo roteiro beligerante da Antiguidade e do Medievo, detenhamo-nos na Segunda Guerra Mundial.
Adolf Hitler esteve na iminência de tudo alcançar; no entanto, acabou por tudo perder. É, pois, tempo de perceber – como Edgar Morin percebeu – que «o resultado de uma ação pode ser contrário à sua intenção inicial».
Uma operação – com o sibilino nome «Fúria Épica» – foi desencadeada com o desiderato de tornar o mundo mais seguro. Volvidos quase quatro meses, alguém se sente mais protegido?
Politicamente, visava-se uma mudança de regime. E, na verdade, a sua cúpula foi decapitada, mas o regime mantém-se no mesmo padrão ameaçador.
Em simultâneo, era objetivo desmantelar o arsenal destruidor do litigante. Só que – pela tenacidade do seu uso – o referido arsenal permanece operacional, com sucessivas e inesperadas ofensivas.
Outro desiderato era consolidar a gestão do comércio mundial, nomeadamente do petróleo.
Presumia-se que o Estreito de Ormuz, por onde passavam livremente 138 navios por dia, estava sob resguardo de qualquer retaliação.
Sucede que, após a deflagração do confronto, houve uma redução drástica na travessia das embarcações. De 138 navios por dia passaram a transitar 200 embarcações por mês.
O reflexo na economia mundial foi imediato e não pára de se fazer sentir. Se a guerra militar tem vencedor incerto, a guerra económica já tem um derrotado garantido: a humanidade inteira.
Mais uma lição desaprendida.
Alguém devia informar a administração norte-americana que, há cinco séculos, os portugueses, para dominar as rotas mundiais, começaram por controlar o Estreito de Ormuz.
Afonso de Albuquerque liderou a conquista daquela ilha, através da construção de um Forte.
Qualquer navio que quisesse atravessar a região teria de pagar uma licença aos portugueses. Ou seja, quem não ganha Ormuz perde qualquer intervenção no Golfo Pérsico.
O pior de tudo, porém, é o desastre humanitário. Desde 28 de fevereiro (data do início das operações) já morreram mais de cinco mil pessoas.
Não sabemos onde está o desfecho. Mas temos obrigação de saber que a guerra nunca é solução.
Com a guerra, todos caem. E sem sempre os maiores conseguem domar os mais pequenos. O improvável também pode acontecer.
Curiosamente, o atual Irão era o epicentro do outrora grande Império Persa. Este, contudo e não obstante o seu poderio, foi incapaz de vencer a pequena cidade de Atenas no século V a.C.
O excesso de confiança não é o melhor fornecedor de bom senso. A prudência e o delírio coabitam frequentemente.
Já é tarde para escapar ao conflito. Iremos a tempo de evitar a escalada?