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ERPs, CRMs entre o aliado e o peso morto!

Há uma pergunta que ronda cada vez mais os gabinetes de gestão e que, por enquanto, ainda não tem resposta definitiva. O que vai acontecer aos ERPs ou CRMs que as empresas usam todos os dias? Aqueles sistemas onde gerimos o negócio, vendemos, faturamos, pagamos salários, comunicamos com o Estado e tratamos dos impostos?

Vão continuar a ser o nosso maior aliado? Ou vão transformar-se num "Velho do Restelo" digital, que nos trava mais do que nos liberta? Ou até um pouco das duas coisas?

Durante décadas, construímos soluções complexas e robustas. Algumas ajudam pequenas empresas a arrancar com poucos recursos. Outras suportam grandes organizações em vários mercados e áreas de negócio. O que todas têm em comum é que foram crescendo com o tempo, acumulando camadas de software, integrações e personalizações feitas ao longo dos anos para responder às necessidades do momento.

E os gestores, ao longo desse percurso, mantiveram-se sempre divididos entre duas opções. Desenvolver soluções próprias, feitas à medida, que constroem parte da diferenciação da empresa no mercado, com maior investimento, mais tempo e muitos cabelos brancos. Ou comprar software já feito, "pronto-a-vestir", mais rápido de implementar mas menos diferenciador… e também com alguns cabelos brancos!

A IA mudou a pergunta

Com a chegada da inteligência artificial, esta equação mudou de forma significativa. O velho dilema entre "fazer" e "comprar" está a reequilibrar-se, e não de forma previsível. Pela primeira vez, é possível construir soluções funcionais em tempo útil, sem reduzir à qualidade. O que antes levava meses, hoje pode levar muito menos tempo.

Isto levanta questões sérias para o mercado. O que vamos ter no futuro próximo? Um ERP monolítico com quinhentas funcionalidades, ou micro-soluções ligadas entre si como peças de Lego, vindas de equipas diferentes e integradas por sistemas de IA? Quem vai andar mais depressa? Os grandes fabricantes de software, com o seu peso histórico e as suas equipas? Ou os novos intervenientes, mais ágeis, que com as ferramentas de hoje constroem em semanas o que antes levava anos?

O mercado não vai esperar

Uma coisa parece certa. A exigência vai aumentar. Os clientes não vão aceitar ficar fora da corrida da inovação durante um ou dois anos porque o seu fornecedor de software ainda não está preparado. Não vão aceitar estar presos a plataformas pesadas, por vezes dispendiosas, que não entregam o valor esperado num mundo que se move tão depressa.

A concorrência transversal está a ganhar novo fôlego. Há mais opções, mais alternativas, mais pressão. E isso é bom. É o mercado a fazer o seu trabalho.

Por isso, talvez este seja, ao mesmo tempo, um grande desafio e uma oportunidade enorme. Para os fabricantes de software, que têm de se reinventar. Para as empresas, que podem finalmente exigir mais. E para um mercado ágil, maduro e criativo como o português, que tem todas as condições para estar na linha da frente desta mudança.

Votos de boas ideias e ambição de criar valor real.

Guilherme Teixeira

Guilherme Teixeira

27 maio 2026