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Apanhados 53

A nossa cidade de Braga (barroca, bimilenar, augusta e dos Arcebispos) tem sofrido uma enorme expansão nos últimos tempos; e essa modificação sente-se e afirma-se, não só na sua paisagem física, como, fundamentalmente, na sua componente humana.

E, então, esta transformação transmite-se através de maior presença de transeuntes nos espaços públicos e cujo linguajar, postura e ação social são bem notórios; e, se por vezes esta forma de atração pública não merece a concordância de grande número de naturais e residentes, é um facto indesmentível que a cidade tem auferido desta mudança mais aplausos do que críticas.

Todavia, setores há em que, seja pela exigência dos seus utentes, seja pela maior atenção e urgência dos agentes promotores e executores dos respetivos serviços a eles inerentes, mais difícil se apresenta a manutenção de um diálogo construtivo de pontes, em vez de muros entre os respetivos litigantes; isto é o que, por vezes, acontece com os transportes públicos ou seja, mormente, com os Transportes Urbanos de Braga (TUB).

Pois bem, penso mesmo que, ninguém ignora ser o transporte público de qualquer cidade, nos tempos difíceis que correm, efetivamente um bem de primeira necessidade; e este facto só por si tem a base de sustentação na luta que se trava entre fornecedores e utilizadores diários dos transportes privados e dos transportes públicos e cujo pomo de discórdia assenta, frequentemente, na escassez do respetivo espaço para utilização segura e fluida de ambos os contendores.

E, então, seja no cumprimento das leis e determinações assentes na defesa do meio ambiente, seja na manutenção de um serviço de qualidade aos utentes, as Câmaras Municipais apertam cada vez mais o cerco ao transporte privado estreitando ruas, colocando painéis de proibição de circulação, de estacionamento e de paragem, mesmo que momentaneamente, mormente nas zonas centrais da cidade; e, deste modo, estas exigências levantar uma evidente e inevitável luta entre o automóvel e o transporte público.

Mas, mesmo estando o transporte público a ganhar espaço de circulação e de utilização, devido a variados fatores, onde o económico não é menos evidente, ele não se furta e muito menos alheio é às críticas mordazes e frequentes protestos dos seus utilizadores; e a esta dinâmica não escapam os atrasos constantes no cumprimento de horários, nas zonas de largada e recolha de passageiros e, até, no conforto facultado aos utentes.

Ainda, há tempos, estando eu e mais alguns passageiros numa paragem em pleno centro da cidade à espera de um autocarro para nos deslocarmos para os subúrbios, o dito cujo acabou por não chegar; e é, então, que alguns passageiros indignados lançam críticas mordazes acesas, sejam ao não cumprimento de horários, sejam aos enchentes constantes em horas de ponta e, até, à pouca simpatia de alguns condutores.

E, obviamente, a respeito do dito autocarro que acabou por nunca chegar, ouvi dizer a um dos passageiros mais exaltado e que ficou, como eu, em terra, com mordacidade na voz e olhar fero:

- Agora, devíamos mandar chamar um táxi que nos levasse aos nossos destinos e dizer ao taxista, no fim da viagem, que tivesse paciência mas que fosse receber pelos serviços prestados aos escritórios dos TUB, já que não é justo que pagando nós e bem caro os respetivos passes ou bilhetes de ocasião, fiquemos a olhar para eles em terra.

E o mais caricato da situação é que num quiosque de atendimento ao público bem ao lado da paragem onde nos encontrávamos, nenhum dos funcionários que aí estavam de serviço para atendimento, nada soubesse dizer sobre a situação ao passageiro menos acomodável que lá se dirigiu pedindo esclarecimentos, mas que acabou por vociferar alto e bom som:

Afinal, era bem simples de fazer um contacto entre o funcionário do quiosque e o condutor do dito autocarro, utilizando os meios de comunicação ao seu dispor que hoje tão utilizáveis e rápidos são por dá cá aquela palha.

Por isso, aqui deixo o meu conselho: vamos lá, meus senhores, estar mais atentos a estas dicotomias, até para que não tenhamos de clamar bem alto que serviço público não é só pôr na rua os meios necessários para o cumprir, mas melhor ainda será que os funcionários afetos a esses serviços se esmerem pelo seu cumprimento tanto quanto melhor, capaz e mais profissional.

Então, até de hoje a oito.

Dinis Salgado

Dinis Salgado

27 maio 2026