Os tempos mudam, as dinâmicas sociais alteram-se, mas as prioridades sociais são orgânicas e os valores devem ser inalterados. Hoje, muitos pais procuram educar os filhos de forma a torna-los felizes, confiantes e livres para se expressarem. A Educação baseada no dialogo e com limites menos rígidos, é de uma forma clara, muito positiva. Porém, liberdade e autonomia, exige mais responsabilidade e responsabilização. A Educação permissiva, com apenas uma regra: “evitar a frustração dos filhos”, tem sido a postura típica dos novos pais. Acredito, claramente, na criatividade, na autoestima e na liberdade, porém, a ausência de limites pode acarretar consequências nefastas.
As crianças e os jovens precisam de referências, para estruturar o pensamento crítico, para compreender o mundo e acima de tudo para construir a inteligência emocional. Quando tudo é permitido e, acima de tudo, desresponsabilizado; quando o “não” não entra no léxico dos pais; quando não se deixa enfrentar a adversidade e não se é confrontado com os próprios erros, não se está a ajudar a criança/jovem a perceber o seu caminho e para onde ir. De uma forma efetiva, o “erro” e o “não” ajudam a formar uma personalidade forte. Paradoxalmente, a liberdade absoluta pode gerar ansiedade, insegurança e dificuldade em lidar com frustrações. Por exemplo, as regras no desporto são, claramente, os limites que potenciam a proteção, o correto e a responsabilidade. Quando um adulto impede uma criança de atravessar a rua sozinha, de comer açúcar em excesso ou um treinador a não deixar desistir à primeira dificuldade, está-se a educar com os conceitos básicos da segurança, da saúde e da persistência. O “não” torna-se, assim, uma ferramenta educativa essencial.
Existem padrões de comportamentos que se tornam em mensagens. Por exemplo, quando não valorizamos a pontualidade, e se torna um hábito “a tolerância”, estamos a desvalorizar o compromisso e o respeito pelo outro. Quando, permanentemente, desvalorizamos o erro ou o justificamos, estamos a falhar nesta missão que é educar para a responsabilidade.
Na Educação dos jovens, na escola, no desporto, a desculpabilização dos erros é um dos piores caminhos que podemos adotar. Hoje, para muitos pais, a culpa dos erros dos seus filhos é dos professores, dos treinadores, da autoridade, menos deles mesmos. Isso retira-lhes oportunidade de aprendizagem. Com estes cenários, estamos a formar uma geração de crianças/jovens doentes, egocêntricas, desorientadas, afastadas do esforço, a viver realidades meramente virtuais.
A Educação permissiva nasce de boas intenções e de um desejo profundo de criar relações familiares mais próximas e afetivas. No entanto, amar não é apenas evitar o conflito. Amar é orientar, proteger e preparar para o mundo real. O “não”, quando usado com respeito e coerência, transforma-se num gesto de cuidado e numa ferramenta extraordinária para o crescimento.