Quem é conhecedor da história ou vai estando atento às notícias que a partir da segunda metade do século passado são recordadas em certos acontecimentos do século presente, sabe que há povos onde existiram nações que tiveram grandes homens, grandes cérebros.
Podíamos citar muitos que foram como deuses: inteligentes, dedicados, sofredores pelo povo, estadistas que deixaram rastos e que a história jamais os apagará das suas páginas. Outros existiram/existem, que são a antítese daqueles, como p.e. os actuais fomentadores da guerra, onde visam a “idolatria do lucro” e guerra que se apresenta como “uma falência ética global”, conforme denunciou o Papa Leão XIV, sem se vislumbrar o seu fim.
Portugal também teve homens de valor: persistentes, empenhados, concretizadores de sonhos e de nobres ideais até ao século XVII, que muito deram ao mundo e ao país!
A partir de então, procurou-se “viver de rendimentos” e hoje somos banalidade: temos a pressa do caracol, os sonhos ou os feitos do jumento com talas, a esperteza dos voláteis e a preocupação constante de carregar o saco às costas, amparados pela bengala da desgraçada pedincha. Há grande crise de competências!
Há dicionários que são bons mestres. E a propósito de competências ou de homens valiosos, vejamos o que diz o meu: “o vocábulo “maestro” vem do latim “magíster” e este, por sua vez de “magis”, isto é, “mais” ou “mais que”. Assim na Roma antiga “magíster” era o que estava acima de todos em sabedoria e habilitações, daí serem os grandes chefes em afazeres de grande responsabilidade. Já o vocábulo “ministro”, vem do latim “minister”, “minus” que significa “menos” ou “menos que”. Desse modo, também na antiga Roma, “minister”, ministro, era o servente ou subordinado que somente tinha alguma habilidade ou era um homem prático.
Pelo que se vê, o latim consegue explicar por que razão o mundo pode ser governado por serventes, habilidosos ou jeitosos.
Portugal, nas afirmações de Eça de Queiroz, em 1867, In “O distrito de Évora”, já se lamentava, já sentia na pele a existência dos nossos “minus” ao afirmar:
“Os ministros são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o Estadista. É assim que há tempos em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha. Será possível conservar a sua independência?”
É de salientar, assim, que Eça de Queiroz fez e testemunhou esta análise há cerca de cento e cinquenta anos! Perante tal verdade, perguntaria o escritor, “que fazer? Que esperar?”
Recorde-se que há mais de cem anos o crédito é-nos rigorosamente tabelado, negociado, bem pago e sem respeito algum como povo. Olham Portugal por cima dos ombros e só por dó vão deixando cair algumas migalhas abaixo da mesa.
O Estado está, tem estado sem cheta e o povo continua a sacudir o cotón das algibeiras. Homens de verga, prontos a servir o país, não como “minus”, mas como “magis”, não há. Ou se os há, esquivam-se para não serem enlameados, ou porque são colocados nos sorvedouros dos partidos políticos.
Não é por acaso que vamos tragando já a quarta República, imposta por António Costa, após 1910!
Não é de admirar, pois, a onda de incompetência que teima em não nos largar dentro da Assembleia da República, nas repartições de políticos por nomeação, nas chefias que não sabem governar, nos “especialistas” com vinte e poucos anos de idade que emagreçam os cofres do Estado, em certos e débeis juízes que pasmam a vida e os processos nos tribunais, etc.?
Ainda há pouco tempo, informava um jornal diário, que “uma senhora de 65 anos empregada de limpeza no Ministério da Agricultura, foi colocada nas piscinas municipais de Castro Verde como salva-vidas e sem saber nadar”.
Ora tal situação, tal nomeação, corresponde ao descalabro em que o país se encontra, bem como à anarquia ou ao princípio do “salve-se quem poder”.
Portugal, principalmente nestes primeiros anos do século que corre, tem sido uma coutada de polvos sem mar, onde as minorias organizadas impõem estranha democracia, porque há toda uma vivência contra as maiorias desorganizadas. A isto chama-se ditadura sem necessidade de explicar a cor.
Deste modo e a ser assim, se o povo não está na política… toda a política é contra o povo. Ora polvos sem mar a participar e a fiscalizar, é criar açougues políticos ou manicómios.
(O autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)