Acabou a época do SC Braga. O tempo agora é de preparação da que se avizinha e que vai começar bem cedo, para não destoar do passado recente. Carlos Vicens tem muito trabalho pela frente e também ele – pasme-se – precisa de ter férias. Parece uma coisa dos tempos modernos, mas não é, porque o treinador espanhol, que é cada vez mais braguista, é um ser humano e, como tal, precisa de descansar como as outras pessoas. Neste sentido, o técnico que comanda de forma ousada os destinos bracarenses deve ser pragmático e arranjar algum tempo para as suas férias, ou ainda acusa desgaste prematuro.
As mudanças no plantel vão acontecendo com uma certa naturalidade. É desejável que entre saídas e entradas o grupo fique mais forte, porque existe uma luta pelo pódio que importa assumir na próxima época. O dinheiro da Champions League é demasiado tentador, para que alguém fique de fora desse desiderato de alcançar o pódio final.
O tempo agora vai ser de seleções, na disputa do Mundial de 2026, que se divide por vários países. Portugal estará representado, à semelhança dos últimos longos anos, que atestam a pujança do futebol português, apesar de algumas opções muito discutíveis.
Roberto Martínez anunciou as suas escolhas e falou da existência de critérios eu todos desconhecem e que ninguém entende, no momento de escolher o grupo que estará presente na fase final. As justificações que dá para algumas escolhas soam a conjunto vazio, ao contrário do que dizem alguns nomes conceituados do comentário desportivo. Possivelmente eu não serei isento na análise deste caso concreto das escolhas da seleção.
Caro Roberto Martínez até temos um amigo em comum, cujo nome vou preservar a bem da confiança, confidencialidade e amizade. Contudo, não posso concordar com algumas das suas opções, tomadas no desempenho das suas funções. Obviamente que eu entendo perfeitamente que qualquer convocatória terá nomes que não merecem consenso.
O grupo que o selecionador anunciou para a fase final representou uma facada demasiado vincada nas ambições do Capitão do SC Braga – Ricardo Horta – cujo desempenho ao longo das últimas temporadas merecia maior respeito por parte do selecionador. A meritocracia devia ser um critério preferencial, meu caro Roberto e não a servilidade, que eu julgava terminar com a sua chegada ao posto que ocupa. Enganei-me, porque afinal o Senhor não trouxe nada de diferente a Portugal e os jogos de influências continuam a predominar no espaço da seleção nacional. O rendimento de Ricardo Horta em comparação com Gonçalo Guedes, e outros elementos, é objetivamente maior, mas nem isso foi suficiente para a sua inclusão no grupo final.
A lista final da seleção contém – pasme-se – quatro laterais direitos e um esquerdo, num total de cinco laterais, que pode subir para sete se juntarmos Tomás Araújo e João Neves, que Martínez já utilizou nessa posição. O selecionador pretere a liga portuguesa em relação à “competitiva” liga da Arábia Saudita, onde o nível se situa ao nível dos escalões secundários de Portugal. O grupo final contempla ainda atletas de escassa utilização e de baixo rendimento, sem que nada o justifique, porque a mesma razão (menor rendimento) serviu para afastar alguns nomes. A seleção de Martínez causa urticária a qualquer adepto e náuseas a qualquer braguista. É este o Portugal que nós temos, pelo menos por mais algum tempo.