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Com Honra e sem Glória

onho de estar presente na final da Liga Europa, em Istambul, terminou em Friburgo, num jogo em que o SC Braga teve praticamente todo o tempo dez Guerreiros contra onze alemães, na sequência da expulsão ingénua e prematura de Mario Dorgeles. O jogador bracarense é jovem e espero que tenha aprendido a lição, até porque ainda tem tempo para confirmar em campo, em prol do coletivo, tudo o que as expectativas anunciam sobre o seu potencial. Naturalmente, a expulsão foi profundamente penalizadora para o SC Braga, ficando a sensação clara de que, onze contra onze, os portugueses eram superiores aos alemães.

A Legião do Minho deslocou-se, uma vez mais, em grande número para apoiar a equipa de Carlos Vicens, em reconhecimento do crescimento sustentado que a equipa foi apresentando ao longo da época e do percurso notável realizado nas competições europeias. Ainda assim, esse trajeto foi sendo regularmente ostracizado pela imprensa portuguesa da especialidade, apesar de beneficiar o futebol português no seu todo. Neste contexto, importa sublinhar a relevância da organização de voos charter por parte do SC Braga, que permitiu a deslocação de muitos adeptos que de outra forma não o teriam feito. Que este exemplo sirva de aprendizagem e seja replicado no futuro, para que continuemos a caminhar juntos.

O silêncio que referi prende-se com a inexistência de “voz” dos jornais ou das televisões, sempre prontos a dar palco a questões menores relacionadas com clubes de um sistema que também se alimenta dessa lógica para perpetuar o estado de coisas vigente. O país parece confortável com um apoio centrado em apenas três emblemas, algo que deveria entristecer a generalidade dos adeptos dos restantes clubes. Neste quadro, as populações locais têm um papel determinante no apoio aos clubes das suas regiões, com vista a um crescimento sustentado e à proteção dos clubes de menor projeção. O meu desafio é que os bracarenses, ou todos aqueles que simpatizam com o SC Braga, sintam vontade de integrar um projeto capaz de elevar o patamar competitivo e de permitir alcançar conquistas maiores.

Voltando ao jogo de Friburgo, importa salientar que a sorte foi madrasta ao longo de toda a partida. Para além da expulsão, o primeiro golo alemão surgiu de forma involuntária e, ainda antes do intervalo, o poste impediu o empate na eliminatória. Mais tarde, o terceiro golo germânico antecedeu o tento bracarense, cujo surgimento instalou a dúvida no estádio. Apenas as intervenções seguras do guarda-redes alemão e a persistente falta de sorte impediram que a eliminatória seguisse para prolongamento. O sonho esteve tão perto, mas terminou ali, após um jogo com Honra, ainda que sem Glória para o SC Braga. Agora, importa capitalizar todo o trabalho desenvolvido até aqui e acreditar no processo diferenciado que Carlos Vicens se propôs implementar em Braga, cujo crescimento foi evidente ao longo do tempo e se traduziu na evolução de vários elementos do plantel.

Uma nota final para a definição do quarto lugar, encarado como objetivo mínimo, após o empate alcançado no reduto do SL Benfica, num jogo em que o VAR pareceu esquecer que a atenção deve ser constante. Nesta época, o SC Braga realizou sete encontros frente aos clubes que terminaram no pódio e apenas perdeu dois, um dado que importa valorizar no futuro, com vista à desejada aproximação a um patamar competitivo superior.


 

António Costa

António Costa

14 maio 2026