1. No uso de qualquer Meio de Comunicação Social deverá o recetor poder distinguir três coisas: o que é informação, o que é opinião, o que é publicidade.
Na informação, em princípio, acredita. O jornalista, como profissional competente, narra o que viu e ouviu ou o que, pessoas da sua confiança, lhe disseram.
Relativamente à opinião pode ou não estar de acordo. É o parecer de quem a emite.
No que respeita à publicidade, o recetor sabe que que aquele assunto é divulgado porque alguém paga para isso.
2. Há no jornalismo um princípio a respeitar: os factos são sagrados e os comentários são livres.
Misturar informações com opiniões é prestar um mau serviço ao recetor.
Detenho-me na informação: narrativa do que aconteceu ou se anuncia venha a acontecer.
O jornalista nem sempre pode ser testemunha dos factos que narra. Deve saber escolher fontes seguras de informação e, sempre que possível, divulgá-las.
Há quem colabore com o jornalista, ajudando-o na tarefa de informar com o máximo de independência, de verdade, de objetividade. E há quem dele se sirva, utilizando-o como moço de recados.
3. Os Meios de Comunicação Social divulgam, normalmente, duas espécies de notícias: as recebidas e as procuradas.
Notícias recebidas: toda a informação que o jornalista divulga porque alguém lha deu, sem que o mesmo jornalista a solicitasse. Espontaneamente – não digo que desinteressadamente – a fonte de informação abriu-se e jorrou.
Notícias procuradas: as que o jornalista, consciente do seu dever de contribuir para que os leitores estejam bem informados, vai buscar. Aquelas que resultam de um trabalho jornalístico de longa ou curta investigação. As que o jornalista conseguiu, não antes de despender certo esforço e de bater a diversas portas, como às vezes acontece.
Através das notícias recebidas o recetor pode ser informado unicamente do que querem que saiba. Mediante as notícias procuradas por um jornalista consciente e responsável o recetor é informado do que o tal jornalista entende que deve saber; do que precisa de saber; do que é bom para si, leitor ou ouvinte, que saiba.
A notícia recebida pode dizer só a verdade que convém a quem a fornece. A notícia procurada, em princípio, diz toda a verdade que deve ser dita, mesmo que se trate de uma verdade incómoda para pessoas nela envolvidas.
A notícia recebida está, muitas vezes, ao serviço de interesses particulares, geralmente de pessoas com qualquer poder. A notícia procurada deve ter em vista o bem comum e é, por vezes, inquietante para quem exerce o poder.
A notícia recebida pode ter a intenção de contribuir para a formação de uma opinião pública orientada de harmonia com certas conveniências. A notícia procurada contribui para a correta formação da opinião pública.
A notícia recebida pode contribuir para a formação de cidadãos alienados. A notícia procurada deve formar cidadãos adultos, cada vez mais conscientes, mais livres, mais responsáveis.
Com a notícia recebida pode procurar-se que as pessoas digam amém. A notícia procurada deve contribuir para que o leitor saiba dizer sim e saiba dizer não.
A notícia recebida pode não ter como objetivo imediato a informação isenta e imparcial. Pode pretender criar uma boa imagem da pessoa ou da instituição que direta ou indiretamente a divulga. E é em função dessa imagem que se seleciona a informação a divulgar e o momento da divulgação. Informação que não classifico de não verdadeira, mas onde se diz apenas a verdade que interessa à construção da referida imagem. A notícia procurada, em princípio, tem como único objetivo informar devidamente o recetor.
Com a notícia recebida pretende-se, muitas vezes, a mansidão e a docilidade, enquanto que a notícia procurada pode gerar o inconformismo e a rebeldia.
4. Em conclusão: é preciso saber ler o jornal, ouvir rádio, ver televisão, usar as redes sociais. E há uma pergunta que qualquer cidadão esclarecido terá de se fazer: porque é que a Comunicação Social fala hoje disto e desta maneira?
Há pessoas interessadas num bom relacionamento com os jornalistas. É a sua missão. Através de comunicados, conferências de imprensa, eventos que provocam, sugestões que apresentam determinam, por vezes em grande parte, o conteúdo informativo dos Meios de Comunicação Social.