Está a decorrer desde ontem e até amanhã o Education Summit, em Guimarães. São três dias de debate sobre os possíveis caminhos que a Educação está e vai percorrer e os grandes desafios que irá enfrentar neste futuro que começa … hoje. As sessões começaram com o Professor Sampaio da Nóvoa, numa apresentação fantástica sobre Educação e professores. E o título da sua apresentação era precisamente “Sociedade com Escolas”, que adaptei para este artigo em que reflito sobre um tema que nos deve preocupar profundamente: o papel atual dos pais no Desporto.
Os recentes acontecimentos que envolvem os pais, enquanto espetadores, nas competições desportivas juvenis deve ser alvo de uma reflexão profunda. A realidade é demasiado triste e aterradora. Envolvem violência verbal, confronto físico, ameaças e insultos a árbitros, arremesso de pirotecnia a árbitros, entre outros atos. Ser pai ou mãe, numa bancada, transcende o papel de espetador. As competições desportivas juvenis são muito mais do que momentos de vitória ou derrota. São espaços de aprendizagem, socialização e desenvolvimento emocional.
Em primeiro lugar, a presença dos pais deveria transmitir segurança, positividade e apoio incondicional. Quando uma criança ou jovem olha para a bancada e encontra rostos familiares, sente-se encorajado e valorizado. Esse apoio emocional contribui para o aumento da autoestima e da confiança, fatores essenciais para o desenvolvimento pessoal e desportivo. Contudo, quando o comportamento parental promove a pressão exagerada ou a contestação agressiva de árbitros, adversários e treinadores, podem gerar ansiedade, frustração, angustia e deceção. Quando os pais valorizam apenas o resultado, estão a dar um péssimo sinal e quando associam “mau” comportamento, estão a provocar o pior dos efeitos.
Há pais que estão na bancada que nunca lá entraram, porque a faceta do “hooligan” sobrepõe-se.
Os pais devem através da sua atitude valorizar aspetos muito importantes: o esforço, a cooperação com o clube e com o seu educando, a convergência de ação com um projeto educativo de cada atleta e garantir a convivialidade intergeracional, ou seja, facilitar a passagem dos valores humanistas e de uma atitude positiva perante os desafios.
Os pais são peças-chave na experiência desportiva juvenil. Ser pai/mãe/espetador(a) implica também dar o “exemplo”. As crianças observam e imitam comportamentos: se veem respeito, fair play e controlo emocional, tenderão a reproduzir essas atitudes dentro e fora do campo. Assim, as bancadas tornam-se uma extensão do ambiente educativo do desporto. Apoiar sem pressionar, incentivar sem criticar destrutivamente e valorizar o crescimento acima do resultado são atitudes que ajudam a formar não apenas melhores atletas, mas sobretudo melhores pessoas.
Aprender com os outros pelo exemplo é o coração da Educação. Desta forma, são necessárias medidas drásticas e urgentes para EDUCAR os pais…