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Páscoa de Fiscal faz invocação pela paz com música de António Variações

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Fotografia Jorge Oliveira

Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 06 de abril de 2026, às 15:49

Milhares de pessoas nas margens do rio Homem para ver tradição

Milhares de pessoas acompanharam hoje a travessia do compasso pascal da paróquia de Fiscal pelo rio Homem, uma tradição fortemente enraizada nesta comunidade de Amares e que é assegurada por famílias, de geração em geração.

Este ano, antes do início da travessia do rio, no Largo da Aleluia, foi lançado um apelo à paz no mundo, com a interpretação da canção de António Variação, “Guerra Nuclear”. 

«Queridos irmãos e irmãs, antes de nos dirigirmos para os barcos, com as duas cruzes floridas e os nossos convidados, escutemos uma canção intitulada Guerra Nuclear, letra e música do nosso conterrâneo António Variações, e que, em jeito de prece e súplica, nos alerta para o drama e loucura da guerra sem sentido, que aflige muitas partes do nosso mundo e que nos tocam. Neste dia de Páscoa, cantemos e supliquemos pela paz», declarou o pároco de Fiscal, o padre Tiago Barbosa, durante a oração pela paz.

O momento serviu ainda para recordar o antigo pároco de Fiscal, o padre Joaquim Gomes da Costa, falecido há sete anos (dia 2 de abril), que foi um dos grandes impulsionadores da manutenção desta tradição pascal.

«Em memória agradecida por ter sido pároco de Fiscal durante mais de 50 anos e por se entusiasmar pela Páscoa nesta terra, pela descida de barco e por sentir que o barco, a água e o rio nos falam da beleza de Deus, pedimos ao Senhor que lhe conceda o o descanso eterno», afirmou o sacerdote.

A celebração contou com a colaboração do padre Leonel, natural de Caires, atualmente a paroquiar em Guimarães, e reuniu diversas entidades locais, entre as quais o presidente da Câmara Municipal de Amares, Emanuel Magalhães.

Ao Diário do Minho, o pároco sublinhou que a travessia do compasso pascal pelo rio, para ligar dois lugares da freguesia, é mais do que um motivo de orgulho ou uma tradição: «é uma forma de manifestar que Cristo Ressuscitou e está Vivo».

Destacou ainda o simbolismo do momento, numa altura em que o mundo enfrenta vários conflitos. «Fazemos a travessia num rio que se chama Homem, mas que pode ser também o rio da vida e da paz», afirmou.

Como é habitual, a travessia do compasso pascal, com duas cruzes, realizou-se em cinco barcas, orientadas por barqueiros, transportando os mordomos, clero e autoridades convidados, a Banda de Música de Cabreiros e profissionais da Comunicação Social.

A organização da festa esteve a cargo da família Barros (casal e os três filhos), que assumiu pela primeira vez a mordomia. Francisco Barros não escondeu a emoção por dar continuidade a uma tradição que orgulha os habitantes de Fiscal.

«É uma festa que dá muito trabalho, mas fazemos com muito gosto, é uma recompensa muito grande», afirmou, lamentando apenas não ter sido possível lançar fogo de artifício, devido risco muito elevado de incêndios decretado para o concelho de Amares.