O título pode, à primeira vista, sugerir uma análise tática sobre o reforço do setor defensivo de uma equipa desportiva. Porém, o foco é outro, o do investimento na defesa nacional, no setor militar, e a forma como esse investimento pode gerar valor adicional ao desporto, na condição física da população e nos comportamentos sociais. No atual contexto geopolítico, marcado por conflitos na Europa e pelo reforço das exigências no quadro da NATO, os Estados-Membros têm sido chamados a aumentar o investimento em defesa para níveis próximos ou superiores a 2% do Produto Interno Bruto (PIB). No caso português, este valor representou mais de seis milhões de euros em 2025, traduzindo-se num esforço orçamental significativo.
Este enquadramento pode levantar uma questão relevante de política pública, nomeadamente em como maximizar o retorno social deste investimento, sem comprometer a missão primária da defesa nacional? Uma resposta possível reside na criação de sinergias entre o setor da defesa e o sistema desportivo. Do ponto de vista técnico, esta articulação não é apenas possível, é desejável. Várias disciplinas desportivas, muitas delas olímpicas, apresentam afinidade funcional com competências militares. O investimento na construção, melhoria e utilização partilhada de infraestruturas militares, equipamentos e conhecimento técnico permite ganhos de eficiência e reforça o desenvolvimento, por exemplo, do alto rendimento.
Mais relevante ainda é a dimensão de base. A implementação de modelos de serviço militar de curta duração, com carácter universal (obrigatório) ou fortemente incentivado, pode constituir um instrumento eficaz de promoção da atividade física junto da população jovem adulta. Programas estruturados, com duração de cerca de seis meses, para homens e mulheres, permitiriam desenvolver capacidades físicas fundamentais e competências comportamentais, como resiliência, disciplina e trabalho em equipa, bem como reforçar a ligação ao território e proteção da natureza.
Exemplos internacionais reforçam esta perspetiva. Na Suíça, o desporto está organicamente integrado no Ministério da Defesa, permitindo uma gestão coordenada de recursos, estabilidade financeira e uma forte ligação entre preparação física, desempenho desportivo e interesse nacional. Outros países europeus apresentam modelos fortemente ligados ao setor da Defesa, com impacto direto na qualidade dos seus sistemas desportivos e nos resultados internacionais. Em Portugal, a existência de uma rede de infraestruturas militares distribuídas pelo território representa uma oportunidade estratégica. A sua utilização, ainda que parcial e programada, para fins de treino, formação e prática desportiva permitiria reforçar a coesão territorial, dinamizar o interior e ampliar o acesso à atividade física.
Num contexto marcado pelo aumento do sedentarismo e pela crescente dependência de ambientes digitais, programação militar que promova atividade física estruturada, contacto com a natureza e experiências coletivas assumem particular relevância. Investir na defesa não deve, portanto, ser entendido exclusivamente como reforço de meios materiais ou resposta a pressões externas, mas também como investimento nas pessoas, na sua preparação, na sua saúde e nas suas competências cívicas. Porque, em última análise, a verdadeira capacidade de um país mede-se pela qualidade e preparação dos seus cidadãos.