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As pausas e as menopausas da vida

O homem, durante o percurso da sua vida, deve cultivar em si a capacidade de amar e de desprezar. De amar as grandezas da alma; de desprezar as baixezas. Nesse caso, reconhecendo-se, ganha a estima de todos.


 

Na verdade, angústias, vazios, ânsias… são estados que a alma sente e vive. Procurar pontos luminosos é o aproximar da fortaleza, do recheio da alma, da alegria-a-caminho e da esperança que se espera. O mar também se esvazia!


 

Todavia, a par de se poder saborear a vida, de se procurar prolongá-la e ter-se sempre mais e melhor vida, envelhecer é lei natural. Porque há vida, houve início de vida e esta, a partir dessa evidência, caminha para o fim, cumprindo-se desse modo a lei: da vida, da natureza.


 

No entanto, é vontade do Criador que todo o homem lute na vida pela sua vida, embora se saiba (também) que lutar, significa a maior parte de as vezes lutar contra a corrente. Mas assim haverá mérito. A favor da corrente, só os peixes mortos.


 

A natureza – e Deus através dela – dão ao homem o necessário para que se cumpra a sobrevivência. Mas o homem tem as pausas da vida como tem as menopausas, andropausas, electropausas, entre outras diversas pausas.

Logo, tem obrigação o homem, no caminhar pró envelhecimento, de procurar alegria, felicidade, promover o bem-estar no espaço em que vive, para enriquecer cada etapa vivida, uma vez que saído do útero materno, acabará no útero da terra.


 

Sabe-se que as folhas, no Outono, não caem ao solo porque querem, mas porque chegou a hora de caírem. Desligaram-se do tronco, perderam a vida. E assim se sabe que a Natureza é para envelhecer, uma vez que a marcha inexorável do tempo não pára. Terá a sua saúde e os seus males, o homem, porque, finalmente como as folhas outonais, lhe “chegará a hora”. E o homem, evidentemente, é Natureza também.


 

A natureza do homem é envelhecer e terminar. Logo, tem obrigação de beneficiar/explorar os dons que Deus lhe distribui. Desse modo, é indispensável que o homem se sinta útil, que pense e organize a acção, por esta ser a única herança deixada, sendo depois apreciada ou não.


 

A velhice é possuidora de Luz, é sabedoria sem queimar. 

A luz ilumina caminhos e amornece corações. Assim, a sabedoria torna as pessoas mais atraentes, ainda que o tempo sulque a pele e traga as marcas ou os sinais da velhice.


 

Tudo envelhece. 

Só a força (interior) e as convicções não têm idade. Assim sendo, enquanto não chegar a realidade das folhas outonais, é preciso que o arco-íris da vida seja embrulhado pelo vento da ternura, da confiança, do carinho a soprar forte, em furacão, para que outra mentalidade nasça entre os homens e, amanhã, a alegria e a Primavera/Verão venham morar perto da vida. Há que colher sabedoria e armazenar suavidade para o amanhã.

 

Então, e como envelhecer é ter muitos anos ou muita juventude pela frente, é importante o homem perguntar diariamente a si mesmo, que fez ou fará pelo mundo, com o poder e dons que Deus lhe dá: que fez ou fará pelos seus semelhantes; que tem feito ou que faz para servir Deus através dos outros; que faz ou deixará feito digno de si, por as acções do homem serem os seus únicos pertences, das quais nunca escapará a julgamento.


 

Defende o Mundo que só terá valor, aquele que durante a vida fez um filho, escreveu um livro e plantou uma árvore.

Nos tempos que passam e verificando-se que a velhice se abeira mais tarde do homem que há uns anos atrás, pode, então o homem fazer mais que um filho, um livro ou a plantação de uma árvore.

 

E se fisicamente mais não poder fazer na velhice, desde que bem cerebralmente, pode recomendar/pedir ao Criador:

“Senhor do Universo premeia os que entendem que meus olhos estão nublados e meus passos vacilantes; os que me fazem sentir amado; os que recordam e me fazem pensar em Deus… porque, quando entrar na eternidade, junto de Ti, lembrar-me-ei de todos”.


 

Para o profano a velhice é inverno; para o sábio é a estação da colheita.

Sendo assim, a velhice é o preço de se estar vivo”, como afirmou o poeta.


 

Finalmente e muito importante, é que cada homem não faça da sua vida um rascunho, pois pode não ter tempo de passar tudo a limpo. Mais: é necessário controlar o tempo e a sua marcha. Assim, todo o homem tem obrigação de pensar em que gasta e como passou o seu tempo, de forma que não pense que agora é tarde demais para ser reprovado.


 


 

(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990).

Artur Soares

Artur Soares

20 fevereiro 2026