O nosso país é o nosso país. E por mais que, às vezes, não queiramos envolver-nos em guerras ou discussões que achamos não ser nossas, a verdade é que o país também é nosso.
Aproveitando o tema das eleições, num tempo em que há cada vez mais fake news e um desrespeito geral por tudo e por todos, espalhando informação falsa sem controlo, a qualidade da informação, e a sua verificação, é hoje mais importante do que nunca. É, aliás, uma das nossas maiores armas enquanto sociedade.
Já escrevi sobre este assunto há quase um ano. Mas hoje quero focar-me noutro ponto: os dados. Dados de qualidade, validados por instituições sérias e de confiança, que não tenham sido manipulados nem apresentados de forma enganadora ou desatualizada.
Imaginem o que seria acabar com discussões inúteis sobre os números do desemprego, da economia, da saúde, da segurança ou da educação.
Imaginem ainda que, no início de um mandato, serviço ou projeto, todos concordassem com os indicadores pelos quais iriam ser avaliados os resultados.
E que, a partir daí, todos os meios de comunicação respeitassem esses mesmos dados vindos de fontes fiáveis e certificadas, usadas por todos.
Na verdade, Portugal tem essas instituições. O INE, por exemplo, ou a PORDATA, já são referências de confiança quando queremos saber o estado real do país. Para além disso, há muitos outros organismos do Estado e “Observatórios” com essa missão: recolher e partilhar dados com qualidade.
É por isso que me custa continuar a ver nos noticiários uns a dizerem que tudo vai bem, e outros a dizerem exatamente o contrário, sobre a mesma realidade. Cada um tenta puxar a conversa para o seu lado, com os seus próprios dados, torcendo a verdade para servir os seus interesses. Como se ganhar um debate dependesse de quem grita mais alto. Como se os portugueses confundissem bons argumentos com decibéis!
Isto, para mim, é naturalmente inaceitável. Nas empresas, por exemplo, seria impensável cada departamento usar indicadores diferentes para medir os mesmos resultados. Seria o caos.
Por isso, é urgente que se alinhem os dados, sempre com base em fontes credíveis, e que esses dados sejam divulgados de forma clara, sem manipulações, salvo os casos em que a lei exige privacidade. A verdade deve ser conhecida por todos, para que ninguém a deturpe ou distorça em benefício próprio.
Estamos no meio das eleições presidenciais em Portugal e ainda a refletir sobre o Fórum Económico Mundial de Davos 2026, onde tanto se falou de “nova ordem mundial” e de que “os tempos são outros”. Pois lamento, mas para mim, os tempos continuam a ser de verdade e de respeito pelos outros. Mesmo que haja quem queira deturpar e manipular a realidade por jogos de poder.
A melhor forma de combater isso é simples: exigir verdade e consumir informação séria e credível. Como se fosse um produto. Se todos procurarmos mais a verdade, vai haver mais quem a queira fornecer. Infelizmente, por agora, procura há muita. Oferta, nem por isso.
Exigir informação correta e sem manipulações é um direito de todos. E aplica-se não só à política, mas também à publicidade enganosa, ao uso de títulos falsos ou, claro, ao que se publica nas redes sociais.
E com a Inteligência Artificial já a ser usada nestes processos, é ainda mais urgente proteger a sociedade com base em valores sólidos: confiança, verdade e realidade e não ficção.
Devemos ter ferramentas que nos ajudem a saber se aquilo que estamos a ver é verdade ou mentira. E, acima de tudo, não podemos continuar a aceitar abusos ou manipulações como se fossem normais.
Fica também uma nota para as instituições. É essencial partilhar dados e indicadores fiáveis sobre o desempenho dos serviços e programas, pois só se pode melhorar aquilo que se mede.
Como primeiro passo para descomplicar este tema, deixo aqui alguns links úteis com indicadores e estatísticas da nossa sociedade. São fontes públicas, sérias e fiáveis. Não precisam de apresentações — nem de manipulações.
https://www.pordata.pt https://www.ine.pt/ https://bpstat.bportugal.pt/
Exijam a verdade! Usem a tecnologia com dados credíveis para detetar abusos, mentiras e manipulações. Porque a verdade continua a ser a base de qualquer sociedade saudável….
E no fim, se tiverem dúvidas perguntem … qual é a sua fonte!?