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Nó de Infias: uma oportunidade para testar a mobilidade

A obra de requalificação do Nó de Infias está prestes a iniciar-se e vai prolongar-se por 660 dias – “a intervenção rodoviária mais importante realizada em Braga nas últimas décadas", nas palavras do próprio presidente da Câmara. Não precisa, no entanto, de se limitar a isso.

Durante quase dois anos, milhares de bracarenses vão ser forçados a mudar rotinas de deslocação. Essa disrupção, hoje vista como transtorno, é também uma janela para mudar hábitos de mobilidade e testar soluções de mobilidade um pouco por toda a cidade.

Podemos inspirar-nos em Paris, em que dezenas de quilómetros de ciclovias temporárias foram pintadas em dias, testadas, e só depois tornadas permanentes com base em dados reais de utilização. E podemos, claro, optar por outras soluções a testar: fechar ruas ao trânsito, dedicar ruas apenas a transportes públicos, inverter sentidos de circulação, criar zonas de convívio, entre outros quaisquer usos que possam ser úteis à população. O ponto não é tanto o que fazer em concreto, mas sim a liberdade de poder experimentar: colocar em prática aquilo que são os estudos e as soluções que, à partida, seriam óbvias, mas que por risco político não se promovem.

Braga já deu os primeiros passos para seguir este caminho de experimentação com a criação de uma interface dos Transportes Urbanos de Braga junto ao Estádio Municipal. Mas há outras experiências também elas bastante óbvias, algumas até propostas em momentos passados pela própria Câmara em projetos e discussões públicas. Algumas seriam:

Testar, com pintura e sinalização, a adição de faixas BUS nas zonas onde os mesmos se encontram frequentemente bloqueados pelo trânsito;

Implementação de semaforização inteligente nas principais avenidas da cidade, com vista a dar prioridade ao transporte público;

Reforçar a frequência de transportes em circuito urbano;

Estender a zona de troca de linha que hoje existe na Avenida da Liberdade para a Avenida Central e a Avenida General Norton de Matos;

Criar rotas circulares que permitam conectar mais linhas existentes atualmente;

Comunicar tempos de viagem comparados entre carro e autocarro nos principais acessos, para tornar visível a vantagem da alternativa;

Entre outras soluções que, sendo de baixo custo e totalmente reversíveis ou reaproveitáveis, fazem sentido testar.



 

As obras no Nó de Infias pretendem resolver um problema de congestão rodoviária que se sente há largos anos. No entanto, seria um desperdício se, terminados os 660 dias, apenas tivéssemos mais um reforço rodoviário e não uma cidade genuinamente mais testada e preparada para se mover de outra forma. Temos coragem e liberdade para testar, validar, e colocar em prática? Então vamos a isso, este é o tempo!

Vítor Castro

Vítor Castro

29 agosto 2026