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A “febre” do metrobus

 

 

Tenho dúvidas se haverá alguém de bom senso capaz de garantir algum êxito ao novo modelo de metro de transporte citadino, escolhido pela Autarquia bracarense. Até porque vejo nas pessoas 0% de entusiasmo e 50% de apreensão quanto a esse meio de mobilidade vir a ter dias promissores cá no burgo. Pelo menos, o que tenho ouvido e lido acerca dele é que irá custar um dinheirão e sobrecarregar o tráfego na cidade.

Ademais, nem me tenho apercebido de ver os candidatos ao “poleiro” municipal empolgados com tal projeto. A não ser o do Juntos por Braga, João Rodrigues, com interesse em dar vida a um projeto que também é o seu. Só faltando saber se ele, caso seja eleito, irá isentar de pagamento quem nele viajar. De resto, são tímidas as referências à sua execução. Havendo, até, quem prometa cancelá-lo.

Como, por exemplo, o candidato do PS/PAN, António Braga, que já reiterou a promessa de que se for eleito suspenderá o “Bus de circulação rápida BRT”. Talvez por saber o fiasco que deu banir da cidade, na era socialista, os tradicionais elétricos para darem lugar à “sucata” dos troleicarros. Pelo que não quererá incorrer naquilo que poderá vir a ser um erro de palmatória. 

Na verdade, a previsão de se arrasarem túneis e viadutos rodoviários – como se perspetiva para Maximinos –, a fim de dar primazia ao BRT, leva a que qualquer cidadão se interrogue para que serviu esse investimento sustentado, outrora, pelos cofres municipais? Algo que se for avante, transformará aquela zona num nó à laia do de Infias. Pelo que só posso concluir que tudo vem sendo pensado de forma apressada, leviana e sem nenhuma perspetiva de dotar a Capital do Minho de um transporte moderno, eficiente e com futuro.

Das declarações dos outros candidatos, retive a ideia de que o independente, Ricardo Silva, em termos de mobilidade, defende que a nossa Augusta cidade precisa não só do BRT, como de outras infraestruturas assentes na ferrovia. Enquanto o da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, quer um metro de superfície – embora não diga se é sobre carris – (a meu ver, o ideal), bem como a ligação ferroviária entre a Cidade dos Arcebispos, Barcelos e Guimarães. Já os restantes, dado o silêncio que vêm demonstrando, depreende-se estarem cordatos. 

Ora, se formos buscar ao Porto o exemplo do BRT, a circular na Avenida da Boavista e onde foram gastos cerca de 80 milhões de euros, vemos que algo está a correr mal. Visto que não só irá ser repensado, como está a ser contestado pelos portuenses devido à intenção do derrube de 80 árvores sadias. E porquê? Porque apesar dos alertas, previamente lançados por alguns especialistas na matéria, a pressa foi tanta que ninguém quis saber. Restando, agora, despejar mais dinheiro para cima do problema. 

É que se a perda de fundos europeus vier a verificar-se, como parece, não só a obra ficará comprometida, como irá depauperar as finanças dos Transportes Urbanos de Braga. Para além disso, convém lembrar que caso não haja reprogramação até 30 de junho de 2026 os 13 milhões de euros (M€) do PRR, já concedidos, terão de ser devolvidos. 

Isto, depois de gastos alguns M€ em estudos com o traçado de uma ‘linha vermelha’ desde a rua do Caires ao Hospital e Universidade do Minho. Sendo previsível que venha a deixar aquela e outras vias, d’antanho, com a fluidez atrofiada. Pois se com duas faixas de rodagem é o que é, imagine-se o que será estreitá-las para dar lugar a uma terceira e ao separador central onde irão circular veículos articulados, (com 23m), autocarros, automóveis, etc.

Tudo isto, talvez se constitua no motivo pelo qual alguns candidatos à CMB se têm mostrado relutantes em se declararem favoráveis à atual “febre” do metrobus. Já que será uma espécie de batata quente a cair nas mãos de quem – a 12 de outubro – vier a ser o novo Edil-mor bracarense. É que se for um dos seus entusiastas e a coisa “aborte”, irá ter de explicar aos que o elegeram as razões pelas quais o “embrião móvel” não vingou. 



 

 

Narciso Mendes

Narciso Mendes

8 setembro 2025