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Juntos pelo Quadrilátero Urbano

Um dos motivos que está na origem de falta de qualidade na rede de transportes públicos que liga o Quadrilátero Urbano é, seguramente, a falta do investimento na mobilidade inter-regional entre Barcelos, Braga, V. N. de Famalicão e Guimarães. Estes são, inquestionavelmente, concelhos com grande referência a nível do seu património, da rede de educação, da indústria e do comércio, visível pelos diferentes dados estatísticos.

Trata-se de quatro concelhos relativamente próximos, separados apenas por cerca de 15 km entre si, mas, efetivamente, desunidas e desentendidas no que à mobilidade entre eles diz respeito. Se repararmos, existe apenas uma ligação ferroviária direta entre Braga e V. N. de Famalicão, demorando nesta ligação cerca de 14 minutos!

No âmbito da celebração dos 150 anos da chegada do comboio a Braga, que decorre desde maio de 2025, constatamos que a cidade de Braga é servida pela mesma linha ferroviária desde então, apesar de inicialmente ter sido prevista a continuidade desta linha para outras localidades, nomeadamente Guimarães, tal como se comprova pelo edifício original da estação ferroviária de Braga, que ainda se mantém, e se encontra na margem da linha ferroviária, e não no seu topo, como estação terminal. Após um século e meio deste projeto ferroviário, continuam as promessas, os estudos, as negociações e as diferentes campanhas, todas elas, até hoje, condenadas ao fracasso.

Nos últimos meses, temos assistido a um conjunto de promessas e de propostas relacionadas com a mobilidade ou em cada concelho ou entre eles. Nesse âmbito, temos de valorizar a proposta eleitoral apresentada pela coligação “Juntos Por Guimarães”, por ser a única candidatura a apresentar uma proposta concreta de realização de uma ligação inter-regional por “MetroBus”. Nessa proposta, cuja primeira fase se encontra em adiantado projeto, ficamos a saber que poderemos ter uma ligação entre Guimarães e as Taipas, em apenas 7 minutos. Facilmente se deduz que, se esta ligação para Braga continuar, como é previsto na segunda fase do projeto para a ligação à futura linha de Alta Velocidade, teremos uma ligação entre Guimarães e Braga em cerca de 20 minutos. Posteriormente, na terceira fase, a ligação entre Braga e Barcelos também seria estabelecida por este meio.

Por outro lado, temos assistido ainda a um conjunto de propostas apresentadas, ou por organizações políticas, ou por iniciativas individuais, que apenas pretendem marcar uma posição de momento sobre este tema. Apresentam opiniões com pouco fundamento técnico e sem uma estratégia de mobilidade urbana para o futuro próximo.

Se analisarmos com mais cuidado a situação política dos quatro concelhos aqui referidos, verificamos que, desde a instauração da Democracia (1974), é a primeira vez que são lideradas em simultâneo por partidos ou coligações da mesma área política do Governo.

Perante estes factos, é imperativo que os autarcas minhotos aqui referidos, se entendam e se associem, ou à estratégia de mobilidade iniciada pelo executivo de Guimarães, ou, em alternativa, que desenvolvam uma proposta válida e rapidamente viável, e apresentem um plano estratégico de mobilidade inter-regional entre estas quatro cidades.

Face à realidade quase caótica do trânsito que circula entre estes quatro municípios, e com todos os aspetos negativos que daí advêm, a nível económico, ambiental, energético, estrutural, pessoal e psicológico, não subsistem dúvidas de que a concretização deste projeto seria a grande obra não só dos seus mandatos, como das décadas seguintes.

Os jovens que estão a iniciar ou terminar os seus estudos ou a iniciar a sua carreira no mercado de trabalho, muito agradeciam que estes projetos fossem desenvolvidos o mais rápido possível, e não ficassem mais décadas a ler ou ouvir falar em projetos e mais projetos, que não passarão do papel.

Ligar o comércio de Barcelos, os serviços de Braga, a indústria de V. N. de Famalicão com o património da cidade de Guimarães; ligar o conhecimento, a inovação e a investigação através dos dois polos de uma das melhores universidades do país e o IPCA que estará brevemente presente nas quatro cidades, só seria completo com uma ligação em transporte público entre estes quatro municípios.

O crescimento económico desta região muito teria a ganhar com esta ligação por transporte público, tornando a nossa região numa das mais competitivas da Península Ibérica.

Henrique Azevedo Gomes

Henrique Azevedo Gomes

8 abril 2026