No espírito destes dias de recordação e celebração, este dia 8 de abril marca um ano do passamento da professora Filipa Freire. Como é que alguém tão novo na idade, mas tão cheio de experiências de dádiva, conseguiu deixar a sua marca na vida de tantos, é ainda um mistério para mim. Há um ano, numa cerimónia de despedida muito sentida e muito participada, alunos, professores, amigos, vizinhos, jovens dos grupos da paróquia, familiares, vários de várias origens confluíram para a foz que marcou o que muitos sabíamos ser uma Páscoa de alguém que tanto impacto teve na vida de tantos.
Por coincidência e fortuna de caminhos, tive a oportunidade de conhecer as competências da professora Filipa, enquanto fomos professores no Colégio Dom Diogo de Sousa. Cedo se revelaram as competências empáticas, mais do que apenas colaborativas, promotoras de uma rede robusta de bem fazer para a comunidade. Dinamizador dos evangelhos que escutaremos por estes dias, João especifica, no milagre dos pães, a intervenção de um rapaz que trouxe cinco daqueles. Aí, como nas comunidades participadas pela professora Filipa Freire, percebemos que o sucesso de uma equipa não está assente num conjunto de circunlocuções sem objetivo definido nem em pequenas realizações com busca por ovações, mas na generosidade individual que procura, por si, suscitar o melhor nos outros.
O ambiente escolar precisou, precisa e não poderá abdicar de contar com professores que ponham «tudo o que são, em tudo o que fazem», que tragam a sua vida, a sua energia, o seu entusiasmo, a sua anima para o seu meio de trabalho. O sentimento de comunidade fortalece quando dá espaço a professores como a Filipa Freire, professores que emprestam curiosidade, entusiasmo, dúvidas promotoras de crescimento em debate, inquietações desafiantes. Professoras como a Filipa Freire brilham e fazem brilhar, quando a comunidade valoriza, mais do que o conhecimento, pessoas com esse conhecimento. Se não podemos continuar a beneficiar da participação da professora Filipa e das suas partilhas curiosas de práticas letivas, podemos continuar a deixar-nos inspirar pelo exemplo da sua boa vontade, a sua forma sempre positiva de encarar os desafios e, para os mais ambiciosos, tentar igualar a sua capacidade de deixar uma marca positiva por todos os grupos que integrarmos. Com o marido e com o filho da professora Filipa partilhamos a memória de termos comungado com alguém que, em tão pouco tempo de vida, tanto impacto teve na vida dos outros. Se um dia se pretender medir o nível de trabalho colaborativo em alguma instituição, então proponho a escala de 0 a Filipa Freire.