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É urgente erradicar a violência

As cenas ocorridas no passado fim-de-semana num jogo a contar para o Campeonato da Divisão de Honra da AF Braga, tendo como intervenientes o CC Taipas e o Arões SC, deviam fazer corar de vergonha qualquer cidadão deste país e principalmente todos os intervenientes que protagonizaram tal espetáculo, colocando o desporto e o futebol, pelos piores motivos, nas ruas da amargura. Foi dado um péssimo exemplo de civismo, respeito, educação e fair play, valores que devem nortear qualquer espetáculo desportivo. Por diversas vezes já abordei este assunto mas parece que as entidades responsáveis não têm conseguido resolver esta questão.
A violência nos campos desportivos não se pode eliminar com um simples estalar de dedos, longe disso, o que é necessário é eliminar as causas que a originam, como expressão de indignação.
A arbitrariedade, a prepotência e o desrespeito pelas normas estabelecidas levam à indignação e podem conduzir, na verdade, à violência. Reprimir a violência de forma insensata pode conduzir a uma violência ainda maior, ou seja, de grau superior.
Daí sermos apologistas de que a "autoridade" só se pode fazer respeitar quando ela própria sabe respeitar e não invoca a sua força como meio de coação.
Violência é um comportamento que causa dano a outra pessoa ou objeto e por isso deve ser erradicada de vez mas terá que ser entendida como respeito por si próprio e por todos os outros, assumindo comportamentos dignos de cidadania.
O que nos espanta não é a violência em si mesma. É, sim, a ignorância das suas causas, consciente ou inconsciente, e a inação de algumas entidades responsáveis.
A violência no "desporto" assume dois vetores distintos, ou seja, a violência nas bancadas, entre aqueles que assistem ao "espetáculo" e aquela "outra" a que são sujeitos os intervenientes no espetáculo, esta mais controlada pela entidade organizadora já que estes elementos estão identificados.
Estou certo que deveremos realmente refletir sobre a problemática da violência a nível desportivo e perceber o que é mais comum acontecer, mas a principal conclusão que podemos tirar é que há a possibilidade de estarmos a participar nesta violência caso sejamos um daqueles adeptos que provoca a equipa adversária, que provoca os árbitros, os jogadores ou os restantes adeptos, mas se os exemplos forem originários dos dirigentes maior será a sua gravidade!
Um outro ponto importante que podemos extrair é que nem todas as situações violentas são iniciadas no recinto desportivo, sendo muitas vezes originárias por declarações dos dirigentes que influenciam as massas adeptas e nos conduzem a tal situação. E por isso urge tomar medidas de combate a este estado de coisas, responsabilizando quem efetivamente contribui por aquilo que acontece, fingindo ignorar a realidade. Tem a palavra a Federação Portuguesa de Futebol e suas Associações a Secretaria de Estado do Desporto e todas as entidades responsáveis pelo desporto do nosso país. É urgente acabar com este estado de coisas!
 

Luís Covas

Luís Covas

28 março 2025