twitter

Bispos de Braga escrevem mensagem para Advento e Natal aos cristãos da Arquidiocese

Fotografia DM

Francisco de Assis

Jornalista

Publicado em 30 de outubro de 2026, às 21:00

Prelados desafiam fiéis a serem luz, a saírem da indiferença para que o Natal não seja apenas decorações e enfeites

Os Bispos da Arquidiocese de Braga divulgaram hoje a mensagem para o Advento e Natal de 2026, sob o tema “Pés ao caminho: acende a luz, segue a estrela!”. No texto, enviado pela Comissão Arquidiocesana de Liturgia e Espiritualidade da Arquidiocese, o Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro; e os seus Bispos Auxiliares D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita convidam os cristãos da arquidiocese bracarense a saírem da indiferença, vencerem o desânimo e abrirem espaço à esperança que vem de Deus.

Eis a mensagem completa dos três prelados bracarenses.

Estimado irmão e estimada irmã, a Paz esteja contigo! Chega o Advento, aproxima-se o Natal! A ninguém passa despercebido a movimentação e o colorido das luzes. No caminho da vida, este tempo afirma-se com especial intensidade.

Que possibilidade?! Que novidade?!

Há caminhos que fazemos por rotina e caminhos que nos mudam a vida. O Advento e o Natal convidam-nos a fazer este segundo caminho: sair da indiferença, vencer o desânimo e abrir espaço à esperança que vem de Deus.

O dom deste tempo não poderá ser oportunidade para te sentires habitado pela novidade da luz discreta e silenciosa, mas intensa e infinita de Deus?

A luz já te habita desde o dia do Batismo e renova-te o convite anual à alegre expectativa da vinda de Jesus Cristo, recordando a nossa vocação para a vida eterna e a nossa condição de peregrinos.

Por isso, detém-te um minuto. Deixa-te provocar! Neste ano, o Advento e o Natal exigem de ti algo novo. Chega de rituais no piloto automático. Chega de enfeitar a casa por fora, enquanto o coração continua no escuro. Fazemos-te um convite ousado: neste ano, não te limites a acender as luzes de Natal. Não te limites a montar o presépio. Segue a estrela. Encontra Jesus Cristo. Torna-te luzeiro no caminho dos outros.

Não ficar pelas decorações, 
aparências ou enfeites

Parece loucura? Não é. É a audácia do essencial à luz do Evangelho. De que serve encher as nossas janelas com quilómetros de lâmpadas LED se não iluminamos a solidão do vizinho ao lado? De que serve montar um presépio com figuras perfeitas no aconchego da sala se ignoramos Jesus Cristo de carne e osso que hoje não tem teto, não tem pão ou não tem quem o escute?

Neste tempo de Advento e Natal de 2026, a Igreja de Deus que peregrina em Braga não quer ficar pelas aparências nem pelos enfeites: quer ser luzeiro para que todos tenham vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10, 10). Jesus Cristo vem consolar quem sofre, levantar quem caiu e desinstalar quem se acomodou. O seu encontro não nos fecha na segurança: põe-nos a caminho. E pôr-se a caminho é dar corpo à nossa expressão de fé.

Olha para os Magos. Eles não ficaram na sua terra a admirar a estrela nem a fazer maquetes do céu. Viram o sinal e isso gerou neles uma atitude interior; puseram pés ao caminho. Enfrentaram a incerteza da viagem, as perguntas sem resposta fácil e a ameaça do poder, sem medo de se desacomodarem. E quando encontraram Aquele Menino, ajoelharam-se para O adorar. Diz o Evangelho que depois eles “regressaram à sua terra por outro caminho” (Mt 2, 12). Mas porque mudaram eles de caminho? Porque, em Jesus, eles encontraram “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6). Afinal, uma fé que não nos muda o caminho corre o risco de se tornar apenas hábito, costume, decoração.

 

Lembra-te do teu  Batismo

Lembra-te, então, que no Batismo recebeste a luz de Cristo e foste chamado a fazê-la brilhar. Jesus não nos diz apenas “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8, 12); diz também: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 14). Onde está hoje a luz que te foi confiada? A luz não existe para ser guardada nem escondida (cf. Mt 5, 14-16). Brilhe a tua luz onde se alimentam rancores, onde se fecham as portas a quem é diferente, onde se tratam os pobres como se eles fossem um problema dos outros, onde a abundância e o desperdício dos bens nos fazem esquecer a riqueza e o valor da vida. De que serve desejar a paz diante do presépio, se recusamos dar o primeiro passo para o perdão e a reconciliação?

Não deixes que o Advento seja mais uma contagem decrescente para mais uma festa, nem que o Natal passe por ti sem que alguma coisa mude. Desperta e põe os pés ao caminho! Não um caminho imaginário, mas aquele que passa pelo nosso íntimo, pelas nossas casas, pelas ruas, pelos hospitais, pelas escolas, pelas prisões, pelos lugares de solidão e pelas feridas que preferimos esconder.

E quando chegar o Natal, não te perguntes apenas se tudo está preparado. Pergunta-te, antes, se alguém encontrou mais esperança porque foste luzeiro, foste estrela, foste presépio.

Estimado irmão e estimada irmã, não esperemos que a noite desapareça para começar a caminhar. É na noite que se procura a estrela. É na fragilidade que Deus Se faz próximo. É no primeiro passo que a esperança começa a ganhar corpo, porque o caminho de Páscoa, que juntos percorremos, é caminho de luz. Levanta-te! Acende a luz, segue a estrela! Põe pés ao caminho!

Que, neste Advento e Natal, a Luz de Jesus Cristo encontre em nós não espectadores, mas testemunhas; não portas fechadas, mas corações disponíveis; não palavras vazias, mas vidas que abrem caminho de luz.

«Bom Advento e Natal no caminho de Páscoa».