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Cónego José Paulo Abreu escolhido como Académico de Mérito da Academia Portuguesa da História

Cónego José Paulo Abreu escolhido como Académico de Mérito da Academia Portuguesa da História
Fotografia DR

DACS

Publicado em 29 de outubro de 2026, às 16:12

O Cónego José Paulo Abreu, Deão da Sé de Braga e diretor do Museu Pio XII, foi escolhido como Académico de Mérito da Academia Portuguesa da História.

O Cónego José Paulo Abreu, Deão da Sé de Braga e diretor do Museu Pio XII, foi escolhido como Académico de Mérito da Academia Portuguesa da História. Doutor em História da Igreja, tem dedicado a sua vida à docência, à investigação e à publicação de trabalhos científicos, num percurso que, no próximo ano, completará 40 anos de ensino da História.

«É o balanço de uma carreira, é o reconhecimento de um trabalho feito», afirma o Cónego José Paulo Abreu. O sacerdote considera esta distinção um reconhecimento do trabalho desenvolvido, mas também uma responsabilidade acrescida.

Atualmente, conta com cerca de 150 publicações, fruto de um percurso que descreve como um investimento de vida na área académica.

O reconhecimento representa, contudo, um compromisso com o trabalho futuro. «Este prémio, para mim, é isso. É o balanço de uma carreira, é o reconhecimento de um trabalho feito. E há uma responsabilização, porque há a estrada ainda para fazer», sublinha, manifestando a intenção de continuar a desenvolver a sua atividade no campo da História.

A História como mestra da vida

Num mundo marcado por conflitos e profundas transformações, o Cónego José Paulo Abreu destaca a importância de conhecer o passado para compreender o presente e preparar o futuro. «A História é a mestra da vida, dizem os antigos, e com toda a razão. Nós, pela História, conhecemo-nos. Nós não nascemos hoje, nós somos fruto de um ontem trazido para o presente», afirma.

O conhecimento das raízes permite compreender o legado recebido e reconhecer o contributo de quem o transmitiu. Para o Cónego, a História ajuda também a desenvolver um sentido de gratidão e de pertença a uma comunidade.

«E a História está cá para investigar isso. E também para nos criar este sentido de gratidão. E o sentido da pertença a uma comunidade que é generosa connosco», explica.

O entrevistado recorda, porém, que a História não deve ser entendida apenas como o conhecimento do que aconteceu. Cada pessoa tem também um papel na construção do presente e do futuro. «Pois a História está cá também para nos envolver nela. Porque agora somos nós os artífices. Agora somos nós os quem escreve», observa.

Aprender com o passado para construir o futuro

A capacidade de aprender com os acontecimentos históricos é, na perspetiva do Cónego José Paulo Abreu, essencial para evitar a repetição dos erros do passado. As guerras, as contendas e as disputas de fronteiras são exemplos de situações que deveriam ajudar a humanidade a reconhecer os caminhos que não deve voltar a percorrer.

«Temos que aprender com a História, porque muita coisa de bom serve-nos de inspiração. Aquilo que foi menos bom, deveria, pelo menos, servido para que a gente aprendesse», defende.

O passado constitui, assim, não apenas uma fonte de conhecimento, mas também um desafio à responsabilidade individual e coletiva. O que ficou por concluir poderá ser levado a bom termo pelas gerações presentes, enquanto os erros cometidos devem servir de ensinamento.

«Portanto, a História tem que ser forçosamente muito inspiradora. Inspirar-nos gratidão, inspirar-nos conhecimento. E inspirar-nos para nos aventurarmos no futuro, que agora somos nós que temos que construir», conclui.

A Academia Portuguesa da História é uma instituição científica de utilidade pública dedicada à investigação e ao conhecimento do passado histórico português, através da atividade dos seus académicos, da realização de iniciativas científicas e da publicação de estudos e fontes documentais.