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Paróquias pedem que caminhada de renovação continue com ações de maior proximidade

Paróquias pedem que caminhada de renovação continue com ações de maior proximidade
Fotografia DM

Publicado em 25 de outubro de 2026, às 20:38

Padre Sérgio Torres destaca evolução muito positiva do projeto Renovar da Arquidiocese de Braga

A maior adesão das paróquias da Arquidiocese de Braga à edição de 2026 do Renovar traduz um «inequívoco» interesse das comunidades cristãs no processo de renovação. 

A garantia foi dada hoje ao Diário do Minho pelo Padre Sérgio Torres, que revelou que agora já são as próprias comunidades paroquiais a pedirem mais ações de proximidade, para que o processo de renovação da Igreja de Braga tenha em conta a especificidade de cada comunidade cristã diocesana. 

O sacerdote que é um dos rostos do Renovar vê nas solicitações que lhe estão a chegar como «um sinal claro» de que o projeto está a ser bem acolhido e não esconde a satisfação por registar «um aumento crescente» do número de paróquias que participam em cada edição do Renovar, mas também um maior número de delegados paróquiais «de edição para edição».

«Nesta terceira edição chegamos a quase metade das paróquias da Arquidiocese Braga, o que já é um ponto de partida muito bom para futuras edições. É um sinal claro de que as sementes que estamos a lançar estão a dar os seus frutos», disse Sérgio Torres, que não esconde a satisfação pela evolução que a Arquidiocese está a registar.

Embora ressalvando que «o mais importante não são as estatísticas», o sacerdote da Arquidiocese de Braga revelou que a edição de 2026 do Renovar «teve cerca de mais de mais de 100 pessoas» que a edição do ano passado. 

«Mas, para nós, mais importante do que isso, é perceber, nas conversas quer temos com as pessoas, o “feedback” que nos vão fazendo chegar», continuou o sacerdote, para referir que os participantes na edição deste ano expressaram o que sentem do que ouviram e não deixaram de referenciar «as coisas com que se identificam, os problemas que também percebem que existem do outro lado e as dificuldades que encontraram, nomeadamente as resistências que também que tiveram que enfrentar».

Novas propostas

«Mas o que verdadeiramente nos satisfaz são as propostas novas que estão a surgir. Não se trata de fazer “copy-paste” de uma nova realidade que é aplicada a todas as paróquias, mas de uma proposta que tem em conta um contexto completamente diferente e que respeita a realidade concreta de cada comunidade», precisou, para deixar claro que «os caminhos, as propostas de solução para a caminhada que deve ser feita pela Igreja de Braga» tem der ser definido por cada paróquia. 

É que «o Renovar não nasceu com o objetivo de ser uma coisa à parte do resto do caminho da Arquidiocese», mas com o propósito de «ajudar cada comunidade a caminhar para a celebração dos 2000 anos da redenção de Cristo». 

Daí que o objetivo central seja facultar a cada paróquia «as ferramentas que lhe permitam percorrer esse caminho», em vez de sugerir-lhe um mapa descritivo de como a caminhada deve ser feita.

O Padre Sérgio Torres também não ignora a «resistência natural» que surge nos momentos em que a mudança se impõe. 

«As resistências são humanas em todos e todos nós temos resistências a tudo, porque temos muita dificuldade em mudar», nota o sacerdote, apontando para o pedido que também o Papa fez à diocese de Roma, em setembro deste ano. 

«O objetivo é partilhar estilos pastorais, partilhar caminhos pastorais e não uniformizar as experiências», destacou o Padre da Arquidiocese de Braga, para notar que «o que é importante é que as paróquias façam alguma coisa, porque se perguntarmos a muita gente se se sente satisfeita com aquilo que vem a acontecer nas paróquias no ritmo da sua liturgia, da sua comunidade no crescimento da fé no envolvimento das famílias na caridade que é praticada, se calhar toda a gente vai começar a dizer que há muito terreno para mudar, há aqui muita coisa que podemos renovar que podemos reconstruir».

Construir a mudança exige abraçar o fracasso

O dia de hoje, que foi o último dia da edição de 2026 do Renovar, ficou também marcado por um alerta pouco comum que o investigador convidado para as conferências do projeto deixou aos líderes das paróquias da Arquidiocese de Braga. 

«Saber abraçar o fracasso é uma condição necessária para o êxito de um processo de renovação de uma paróquia», afirmou Tom Carcoran, naquela que foi a sua última intervenção no Renovar 2026.

O investigador norte-americano deixou claro que «o fracasso faz parte do processo de mudança», até porque «cada falhanço coloca-nos mais próximos do objetivo», acrescentou, ilustrando o seu raciocínio com as tentativas de alcance do objetivo que são feitas em todos os setores da atividade humana, mas em que cada falhanço resulta mais próximo do alvo, até que seja alcançado.

Corcoran advertiu, no entanto, que o objetivo final só se cumpre através da «coragem para avançar». 

Na reflexão que protagonizou sobre  os cinco passos que conduzem ` renovação paroquial, Tom Carcoran deixou claro que há vários exemplos bíblicos que atestam que «o caminho faz-se caminhando». 

«Avançar com fé» foi a proposta do investigador, que destacou que «Deus só nos pede que avancemos», porque «se tivermos a coragem de avançar, Ele estará sempre presente» ao longo de toda a caminhada.