A Congregação das Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado «rejubilou» com a decisão da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) que deu parecer favorável à abertura do processo de beatificação da Maria de São João Evangelista. A decisão da CEP surge depois de o bispo de Bragança e Miranda, D. Nuno Almeida, ter submetido oficialmente à CEP o pedido de abertura do processo de beatificação que foi iniciado por D. José Cordeiro, atual Arcebispo Metropolita de Braga e Primaz das Espanhas. «Sob proposta do Bispo de Bragança-Miranda, a Assembleia deu parecer favorável à abertura do processo de Beatificação da Irmã Maria de São João Evangelista, que nasceu em Pereira (Mirandela) em 1888, vindo a falecer em Chacim em 1982. Tendo levado uma vida de intenso fervor eucarístico, de diversos meios têm surgido testemunhos sobre graças obtidas de Deus por sua intercessão», refere o comunicado da Congregação das Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado enviado ao Diário do Minho. Na nota de imprensa, que cita a decisão tomada na 208.ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, celebrada em Fátima, de 13 a 16 de novembro de 2023, a congregação expressa o desejo de que «neste ano em que nos preparamos para a celebração do 5.º Congresso Eucarístico Nacional, possa este passo aproximar--nos mais da mensagem que Jesus, através desta sua serva, quis transmitir aos seus fiéis de permanecer no seu amor».
O comunicado recorda que Alzira da Conceição Sobrinho nasceu na aldeia de Pereira, concelho de Mirandela (Distrito de Bragança), Diocese de Bragança-Miranda, no dia 4 de abril de 1888. Foi batizada na sede de Freguesia, S. Miguel de Avidagos, no dia 22 do mesmo mês e ano. Foi a terceira a seguir aos dois irmãos mais velhos e a primeira das quatro irmãs que lhe seguiram. Da família, especialmente da mãe e da avó materna, recebeu as primeiras inspirações para o amor forte que devotou a Jesus na Santíssima Eucaristia. Este amor marcou a sua vida e foi-se intensificando ao longo dos anos. Na juventude começam a dar-se com Alzira factos extraordinários que, atingindo o ponto culminante entre 1916 e 1923, se prolongarão por toda a vida. Em 1916 Alzira declara ter recebido do Senhor a inspiração para «que seja fundada uma nova ordem ou instituição à qual lhe darão o nome de “Vítimas Consagradas ao Amor do Santíssimo Sacramento”». Tanto o diretor espiritual, como os párocos, e posteriormente outras pessoas, fizeram várias provas a Alzira para apurarem a veracidade dos factos sobrenaturais, que consistiam em receber, sem participação humana, partículas consagradas provenientes do sacrário da aldeia; este sacrário e o vaso no seu interior foram lacrados, confirmando-se, por diversas vezes, que as partículas que Alzira recebera faltavam no vaso, estando o lacre intacto.
Segundo ela, Jesus insistia que deviam autorizar a que ela e várias pessoas, que seriam os primeiros membros da Congregação a fundar, andassem com uma partícula consagrada num relicário, para contínua adoração. No Arquivo da Congregação existem vários testemunhos escritos que afirmam a autenticidade de tais acontecimentos extraordinários. Em 1928 com Maria Augusta Martins, sua amiga e confidente, funda uma casa de acolhimento para crianças pobres, o Asilo das Florinhas do Sacrário. Em torno de Alzira e Maria Augusta vai surgindo um grupo de senhoras que almejam viver a espiritualidade eucarística e colaboram na obra social. Em 1941, já com D. Abílio Augusto Vaz das Neves na Diocese de Bragança--Miranda, deu-se impulso à fundação da nova Pia União. Em 15 de agosto de 1950 foi ereto canonicamente o Instituto de Direito Diocesano, denominado Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado, confirmado como Instituto de Direito Pontifício a 1 de novembro de 1991. Alzira da Conceição Sobrinho fez a sua primeira profissão a 15 de agosto de 1948, adotando o nome de Maria de São João Evangelista e a profissão perpétua a 15 de agosto de 1951. Praticamente durante todo o tempo da sua vida religiosa viveu em Chacim (Macedo de Cavaleiros), relacionando-se com muitas pessoas de todos os extratos sociais e dando um forte testemunho de vida espiritual e de caridade evangélica a todos, especialmente às suas Irmãs. Faleceu em Chacim a 10 de junho do ano de 1982, festa do Corpo de Deus.