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Papa encontrou-se com 200 artistas de todo o mundo na Capela Sistina

Papa encontrou-se com 200 artistas de todo o mundo na Capela Sistina
Fotografia DR

Redação

Publicado em 27 de junho de 2023, às 09:39

Francisco pede aos artistas que sejam sentinelas do verdadeiro sentido religioso

O Papa recebeu, por estes dias, na Capela Sistina, um grupo de cerca de 200 artistas contemporâneos, incluindo sete portugueses, convidando-se a ser uma «consciência crítica da sociedade», denunciando as desigualdades e o egoísmo. Na sua intervenção, Francisco referiu que «A arte e a fé não podem deixar as coisas como estão».

A arte e a fé não podem deixar as coisas como estão: mudam-nas, transformam-nas, convertem-nas», referiu, num discurso em italiano, longamente aplaudido pelos presentes. 

O encontro, com transmissão online, assinalou o 50.º aniversário da inauguração da coleção de arte moderna e contemporânea dos Museus do Vaticano.

«Sinto-vos aliados para tantas coisas que me são caras, como a defesa da vida humana, a justiça social, os últimos, o cuidado da nossa casa comum, o sentirmo-nos todos irmãos. Eu preocupo-me com a humanidade da humanidade», referiu o pontífice.

Como os profetas bíblicos, confrontais-nos com coisas que às vezes nos incomodam, criticando os falsos mitos de hoje, os novos ídolos, os discursos banais, as armadilhas do consumo, as artimanhas do poder».

O Papa começou por sublinhar o espaço escolhido para o encontro, a famosa Capela Sistina, afirmando «aqui tudo é arte».

Pedro Abrunhosa, Gonçalo M. Tavares, VHILS e Joana Vasconcelos

 Entre os convidados estavam o músico Pedro Abrunhosa, os escritores Gonçalo M. Tavares e José Luís Peixoto, os artistas plásticos Rui Chafes, Joana Vasconcelos, VHILS e a arquiteta Marta Braga Rodrigues.

Francisco elogiou a «profundidade inesgotável» da arte, num tempo em que muitos «têm dificuldade em ver a vida como uma realidade multifacetada», apelando a uma nova «aliança» entre a Igreja e os artistas. «Esperamos novos frutos também no nosso tempo, em clima de escuta, liberdade e respeito. As pessoas precisam destes frutos, frutos especiais», apontou.

A intervenção deixou vários elogios à criação artística, que alarga horizontes e é capaz de “inventar novas versões do mundo», antes de citar a pensadora Hannah Arendt para sustentar que ser humano é «viver para trazer novidade ao mundo». «Sois aliados do sonho de Deus, sois olhos que observam e sonham. Não basta apenas olhar, é preciso também sonhar».

«Sois chamados a escapar ao poder sugestivo daquela suposta beleza artificial e superficial, que hoje se difunde, muitas vezes cúmplice dos mecanismos económicos geradores de desigualdades. Essa beleza não atrai, porque é uma beleza que nasce morta». 

O Papa disse ser importante ter ironia e sentido de humor, realçando que os artistas podem ser «sentinelas do verdadeiro sentido religioso, por vezes banalizado ou comercializado».

«É preciso lançar a luz da esperança nas trevas da humanidade, do individualismo e da indiferença. Ajudai-nos a vislumbrar a luz, a beleza que salva. A beleza que salva», apelou Francisco.