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SEPNA afirma que o distrito de Braga é o segundo nas denúncias de avistamentos de ninhos com vespa asiática

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Publicado em 05 de setembro de 2019, às 15:54

UTAD quer colocar transmissores nas vespas asiáticas para estudar forma de combate a esta praga.

O distrito de Braga é o segundo, desde o início do ano até 25 de agosto, no que diz respeito ao ranking das denúncias de avistamentos de ninhos de vespa asiática.
Em termos de localização, os distritos onde se registaram mais denúncias, ao longo deste ano, foram Porto (133), Braga (92), Viseu (60), Aveiro (53) e Coimbra (50).
Segundo dados revelados pelo Serviço da Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, através de Ricardo Vaz Alves,o primeiro avistamento em Portugal em 2011, no distrito de Viana do Castelo e, «desde aí, tem vindo a deslocar-se para o sul do país, sendo que Lisboa, até agora, é o distrito mais a sul onde existe a presença da vespa velutina», disse. «Desde 2017 até ao corrente ano, temos verificado um aumento do número de denúncias», afirmou Ricardo Vaz Alves, indicando que, em 2017, contabilizaram-se 499 avistamentos, número que aumentou para 708 em 2018 e que, este ano, até 25 de agosto, soma 508 situações relacionadas com a presença de vespa asiática. Como não tem predadores naturais, a vespa asiática coloca em perigo a biodiversidade, as abelhas e consequentemente a polonização, podendo ameaçar também a segurança das pessoas. A vespa asiática é de tamanho superior e mais escura do que a vespa comum, e com apenas uma lista amarela no abdómen, não devendo ser confundida com a vespa crabro que é ainda maior, mas com o abdómen todo amarelo e que não representa uma ameaça. Investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) estão a estudar uma forma de instalar microtransmissores na vespa asiática para segui-la até aos ninhos, monitorizar estes e avaliar a melhor forma de os destruir.
O projeto ‘GoVespa’ procura a aplicação de novas tecnologias para ajudar à resolução da proliferação de ninhos de vespas velutinas, conhecida como vespa asiática, em Portugal, que “está a preocupar seriamente a comunidade científica”, destacou hoje a universidade, de Vila Real, em comunicado.
A metodologia da equipa de investigação da UTAD passa pela captura das vespas vivas, sem as ferir, de modo a proceder à colocação de um microtransmissor no dorso, libertar as vespas e seguir o seu voo, através de um radar ou um drone [veículo aéreo não tripulado], filmar e fotografar o ninho e, por fim, fazer voos nas imediações dos ninhos identificados e procurar novos ninhos. O investigador do departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista da UTAD, José Aranha, citado no comunicado, alerta que «é fundamental apanhar as vespas fundadoras (rainhas) no início da primavera, de modo a que não criem colónias e não se dispersem».
«Impõe-se a deteção precoce de ninhos e a procura de ninhos primários para tentar apanhar as fundadoras», realça.
Para José Aranha, a «deteção dos ninhos nem sempre é tarefa fácil», pois, apesar de «alguns se localizarem em árvores baixas ou em telhados, sendo por isso facilmente visíveis, outros localizam-se em árvores altas, como por exemplo eucaliptos adultos, e neste caso é muito difícil ver os ninhos, não só pela distância ao solo como pelo facto desta espécie florestal apresentar folhas todo o an»”. Assim, a captura da vespa asiática, e a instalação de um microtransmissor no dorso, permitirá a identificação dos ninhos mais inacessíveis. «Posteriormente, estes dados serão inseridos no Sistema de Informação Geográfica já criado e usados para melhorar o modelo de suscetibilidade à dispersão da vespa velutina», refere ainda o comunicado. Este modelo de dispersão permitirá concentrar esforços de localização de ninhos secundários e eleger áreas prioritárias onde colocar as armadilhas primárias, acrescenta.    
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