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Câmara de Caminha com resultado líquido positivo de 991 mil euros em 2025

Fotografia DR

Redação/Lusa

Publicado em 15 de abril de 2026, às 18:32

Execução da receita aprovada hoje por unanimidade.

A Câmara de Caminha aprovou hoje por unanimidade as contas de 2025, que apresentam um resultado líquido positivo de 991 mil euros e uma execução da receita de 25,9 milhões de euros.

O documento recebeu os votos favoráveis dos quatro elementos da maioria liderada pelo PSD, que se instalou na Câmara de Caminha, no distrito de Viana do Castelo, após as eleições autárquicas de outubro de 2025, e dos três eleitos pelo PS.

O relatório indica que a autarquia terminou 2025 com uma execução da despesa de 24,8 milhões de euros e uma dívida total de 14,6 milhões de euros.

A receita corrente teve uma taxa de execução de 92,27%, ao passo que a despesa corrente teve uma execução de 91,75%.

A presidente da Câmara, Liliana Silva, saudou o resultado líquido positivo de 991 mil euros, mas lamentou o que ficou por fazer durante a gestão socialista, que esteve 12 anos no poder.

“É sempre uma boa notícia [o resultado líquido positivo], mas não é muito se olharmos à realidade do concelho, ao estado de muitos equipamentos públicos e à falta de investimento dos últimos anos”, disse.

E frisou: “Não são as nossas contas, temos dois meses de responsabilidade nestas contas”.

A autarca alertou para “um aumento muito grande, de mais de 230%”, em rubricas que visavam a área de comunicação e marketing.

“Percebemos claramente que foi um ano eleitoral, com aumentos de rubricas de classificação económica que visavam essencialmente a área da comunicação e marketing institucional”, afirmou.

Em termos de infraestruturas e equipamentos municipais, “o valor do investimento foi demasiado baixo, sendo que a manutenção dos edifícios, que necessitam de obras urgentes, ficarão todas a cargo do orçamento de 2026 e seguintes”.

Liliana Silva lamentou a perda de fundos comunitários e necessidade de devolver as verbas de dois projetos: a Incubadora Verde de Argela e o projeto dos caminhos de São João d’ Arga, totalizando cerca de 209 mil euros.

“Não foram cumpridos os objetivos nem alcançadas as metas contratualizadas”, criticou.

A autarca censurou ainda a taxa de execução do programa 1.º Direito, de construção de habitação, por ter ficado “no limiar de 1%”, correspondendo a quatro milhões de euros, e considerou ter faltado investimento na área social por parte do executivo socialista.

Rui Lages, vereador eleito pelo PS que entre 2022 e as eleições de 2025 presidiu à autarquia, justificou ter votado “favoravelmente pela sua exposição técnica, não pela sua exposição política”.

“Este documento reflete uma saúde financeira positiva da Câmara. Em 2013, quando o PS chegou à Câmara, encontrámos um resultado líquido negativo de 918 mil euros”, observou.

Para o socialista, “os números são inequívocos”.

“Entregámos este município com resultado líquido positivo. Esta liquidez é fruto de gestão com execução de 97% de receita corrente. Deixámos candidaturas aprovadas em valor superior a 10 milhões de euros. Entreguei o município com contas certas, lucro e liquidez imediata”, sinalizou.

Rui Lages disse ainda que “os números não têm partido político”.

“A presidente pode criticar a forma de governar, mas não pode criticar a matemática”, defendeu.

A Câmara de Caminha aprovou o orçamento de 2025, de 25,8 milhões de euros, com os votos favoráveis da maioria socialista e os votos contra da coligação O Concelho em Primeiro (PSD/CDS-PP/Aliança/PPM).