twitter

Argivai atribui Medalha de Mérito a três sacerdotes naturais da freguesia

Argivai atribui Medalha de Mérito a três sacerdotes naturais da freguesia galeria icon Ver Galeria
Fotografia Avelino Lima

Luísa Teresa Ribeiro

Chefe de Redação

Publicado em 27 de março de 2024, às 16:09

Padres Marcelino Ferreira, Paulo Terroso e Rúben Cruz homenageados em localidade da Póvoa de Varzim.

Os padres Marcelino Ferreira, Paulo Terroso e Rúben Cruz foram distinguidos com a Medalha de Mérito de Argivai, freguesia da Póvoa de Varzim de onde são naturais os três sacerdotes.

Este foi o ponto alto da comemoração do Dia da Freguesia de Argivai, que ontem à noite, dia 26 de março, reuniu a comunidade na igreja de S. Miguel, contando com a presença do pároco, padre José Figueiredo.

O presidente da União de Freguesias da Póvoa de Varzim, Beiriz e Argivai, Ricardo Silva, destacou a identidade de Argivai, que «está nas pedras, nas ruas, nos monumentos, nos edifícios, nas festas e comemorações, mas essencialmente nas pessoas».

«São as pessoas que absorvem, mantêm e transportam consigo para onde vão a identidade, o espírito da terra onde nasceram. Numa época fustigada por uma enorme crise de valores, é preciso identificar, exaltar, colocar à vista aqueles que melhor representam os princípios que defendemos», declarou.

Nesse sentido, após sugestão de Alice Ribeiro, a União de Freguesias decidiu por unanimidade distinguir com a Medalha de Mérito os três ilustres cidadãos nascidos naquela localidade

Por seu turno, Alice Ribeiro destacou a «obrigação de assinalar» a «situação singular» de haver três padres numa só geração naturais de Argivai, que servem de exemplo para todos os jovens e cidadãos da freguesia.

O padre Marcelino Ferreira nasceu em 1974, foi ordenado em 1998 e é pároco em Ferreiros, Sequeira e Vilaça, no Arciprestado de Braga.

Por seu turno, o padre Paulo Terroso nasceu em 1978, foi ordenado em 2003, sendo diretor do Departamento de Comunicação Social da Arquidiocese de Braga, coordenador do Serviço para o Diálogo Ecuménico e Inter-Religioso, administrador do Diário do Minho e reitor da Basílica dos Congregados, também no Arciprestado de Braga.

Já o padre Rúben Cruz nasceu em 1992, foi ordenado em 2017 e é diretor do Departamento Arquidiocesano para a Presença da Igreja no Ensino, assistente do Departamento Arquidiocesano para a Pastoral de Jovens e pároco de S. José de S. Lázaro, igualmente no Arciprestado de Braga.

 

Surpresa e gratidão

Os homenageados receberem com surpresa e gratidão a distinção atribuída pela União de Freguesias.

Após terem recebido a Medalha de Mérito, os sacerdotes participaram numa tertúlia, orientada por Augusto Moreira, na qual tiveram oportunidade de relembrar pessoas da terra e momentos que marcaram a sua infância, mas também refletir sobre os caminhos da Igreja no século XXI.

«Fiquei muito surpreendido pela ousadia e talvez até pela coragem de homenagearem três padres, num tempo tão conturbado», afirmou o padre Paulo Terroso, agradecendo a distinção.

Também o padre Marcelino Ferreira manifestou «enorme surpresa e profunda gratidão», enquanto o padre Rúben Cruz admitiu que não estava à espera deste reconhecimento público por parte da freguesia.

Os três sacerdotes reconheceram que se trata de um «caso especial» haver três padres na mesma paróquia nos últimos 25 anos, ainda para mais numa localidade de pequena dimensão.

Tentando encontrar explicações para o surgimento destas três vocações sacerdotais, o padre Paulo Terroso referiu estar convencido que isso se deve «à oração de muitas mulheres da freguesia».

«A Pastoral Vocacional não é uma estratégia. Não são os padres ou os programas pastorais que decidem a ação do Espírito Santo. Deus é profundamente livre e foi profundamente generoso nesta paróquia», disse.

O sacerdote contou que em Argivai houve um grupo de jovens muito ativos na paróquia, que permaneceram como catequistas e abriram espaço para outros jovens. «Isso é fundamental na transmissão da fé. A melhor forma de suscitar a fé é através da amizade e das relações verdadeiras», argumentou.

Por seu turno, o padre Rúben Cruz citou o Cónego João Aguiar quando este dizia que «para se ser sacerdote é preciso ter uma enorme generosidade». Em seu entender, «continua a haver jovens com esta generosidade, que estão à espera que alguém lhes proponha este caminho».

«Os jovens de hoje são tão ou mais generosos que nós, mas só lutam por aquilo em que acreditam», defendeu, considerando que fazem falta núcleos que envolvam os jovens, como outrora acontecia nos adros das igrejas, nos ranchos folclóricos ou nos grupos de teatro.

Já o padre Marcelino Ferreira recordou o poema do Cardeal Tolentino Mendonça, que diz “O mistério está todo na infância: / é preciso que o homem siga / o que há de mais luminoso / à maneira da criança futura”, assegurando que Argivai «é uma comunidade de fé».

«A nossa casa é sempre nossa casa. Esquecer as origens não é apenas incorreto, é não ter consciência daquilo que somos», disse o padre Paulo Terroso.