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“Cinema na Vinha” harmoniza Vinhos Verdes com filmes

“Cinema na Vinha” harmoniza Vinhos Verdes com filmes
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Fotografia Miguel Viegas

Luísa Teresa Ribeiro

Chefe de Redação

Publicado em 08 de julho de 2023, às 11:44

Iniciativa da Comissão de Viticultura decorre até setembro, na Casa do Vinho Verde e em quintas da região

A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes volta a promover a iniciativa “Cinema na Vinha”. Até setembro, nos jardins da Casa do Vinho Verde, no Porto, e em nove quintas da região, os Vinhos Verdes harmonizam-se com 20 filmes, para proporcionarem serões de verão bem passados.

A edição deste ano é dedicada ao “terroir”, com curadoria de Tiago Fernandes e Paulo Cunha. «O tema escolhido tem a ver com o vinho e com a vinha, com a essência dos vinhos que se diferenciam, que é o “terroir”. As temáticas foram escolhidas de forma a terem uma identidade, uma localização geográfica específica, que é diferenciadora», explicou a presidente da Comissão de Viticultura, Dora Simões, no arranque deste ciclo de cinema, que decorreu quinta-feira à noite, na Casa do Vinho Verde, com a película Alcarràs.

Esta responsável sublinhou que o evento tem sido um sucesso ao longo dos anos, reunindo todos os ingredientes para continuar a cativar o público. «São 20 filmes que vão poder ser vistos na Casa do Vinho Verde e nas quintas que aderiram a esta iniciativa, que vão projetar os filmes nas suas vinhas, proporcionando um momento único. Toda a gente gosta de ver filmes fora da sala de cinema», afirmou.

Na edição deste ano, quem for às sessões do Porto, no Palacete Silva Monteiro, vai encontrar uma inovação: o ecrã está em frente ao Douro, o que permite apreciar o filme tendo como cenário o anoitecer no rio, vendo as luzes da cidade e os barcos a navegarem.

A experiência inclui também uma visita guiada àquela que em tempos foi considerada a “casa mais bonita do Porto”, que foi alvo de uma intervenção de reabilitação em parceria com o Departamento de Conservação e Restauro da Universidade Católica do Porto.

Nos jardins, há provas de Vinhos Verdes de diferentes perfis e sorvetes de Alvarinho, Vinhão, Loureiro e Avesso, criados pelo chef António Vieira.

 

Filmes com diferentes perfis


O curador Tiago Fernandes explicou que o processo de criação deste ciclo de cinema dedicado ao “terroir” foi longo, dizendo, num paralelismo com o mundo dos vinhos, que «foi preciso abrir e deixar respirar».

Este responsável revelou que os curadores procuraram que existisse um fio que unisse os filmes de diferentes latitudes, de forma a proporcionar uma «experiência cinematográfica plena e enriquecedora».

O ciclo foi pensado a «dois tempos». «A programação na Casa do Vinho Verde foi feita a partir de filmes de cinema independente, para um tipo de público mais específico que existe no Porto. Relativamente às quintas, tentámos encontrar filmes que fossem mais acessíveis ao grande público, como comédias e clássicos, de forma a esta experiência ser interessante para a comunidade, envolvendo os trabalhadores, os visitantes e a população local», disse.

Paulo Cunha acrescentou que a seleção das películas foi pensada a partir das experiências anteriores e das particularidades de cada uma das quintas. «Um filme é quase como uma garrafa de vinho. Se não estiver na temperatura ideal, se não o deixarmos respirar, se não o soubermos saborear, pode parecer muito mau, mas se for bom é eterno», referiu.

Os filmes levam os espectadores a diferentes geografias, desde Portugal, com a exibição de Ice Merchants, a curta-metragem do portuense João Gonzalez que esteve nomeada para os Óscares, e de Entre Ilhas, filme passado nos Açores, à Espanha, Irão, Japão, Argentina, Chile e Turquia.

 

Citação

Na viticultura, o conceito de “terroir” remete para um espaço singular, com caraterísticas humanas e territoriais muito específicas, que contribuem para o processo de criação de vinhos únicos.

No cinema, poderemos associar o conceito de “terroir” a um tipo de cinema que também se centra num território particular, com traços distintivos e que reproduz imagens e sons particulares, que servem como matéria-prima para obras únicas.

 

Programação

 

Casa do Vinho Verde – Porto

6 de Julho – Alcarràs (Carla Simón, 2022), 120 minutos

7 de Julho – Onde Fica a casa do meu amigo (Abbas Kiarostami, 1987), 84 minutos

20 de Julho – Uma Pastelaria em Tóquio (Naomi Kawase, 2015), 113 minutos

21 de Julho – Estrada Fora (Panah Panahi, 2021), 93 minutos

03 de Agosto – Ice Merchants (João Gonzalez, 2022) 14 minutos + Entre Ilhas (Amaya Sumpsi, 2022), 76 minutos

04 de Agosto – A Cordilheira dos Sonhos (Patrício Guzmán, 2019), 84 minutos

17 de Agosto – A Mulher Sem Cabeça (Lucrecia Martel, 2008), 87 minutos

18 de Agosto – Mustang (Deniz Gamze Ergüven, 2016), 97 minutos

31 de Agosto – Movimento em Falso (Wim Wenders, 1975), 103 minutos

01 de Setembro – Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (João Salaviza e Renée Messora Nader, 2018), 110 minutos

  

Adegas e Quintas

8 de Julho – Adega Cooperativa de Felgueiras – Caves Felgueiras CRL (Felgueiras) – Tori e Lokita 

14 de Julho – Casa da Tojeira (Cabeceiras de Basto) – Toda a gente gosta de Jeane (Céline Devaux, 2022), 95 minutos

15 de Julho – Quinta da Raza (Celorico de Basto) – A Felicidade das Pequenas Coisas (Daniele Luchetti, 2019), 93 minutos

22 de Julho – Quinta de Santa Cristina (Celorico de Basto) – After Sun (Charlotte Wells, 2022), 102 minutos

28 de Julho – Adega de Ponte de Lima (Ponte de Lima) – Tempos Modernos (Charles Chaplin, 1936), 86 min.

29 de Julho – Quinta da Aveleda (Penafiel) – Alma Viva (Cristèle Alves Meira, 2022), 80 min.

5 de Agosto – Monverde Wine Experience Hotel (Amarante) – After Sun (Charlotte Wells, 2022), 102 minutos

11 de Agosto – Quinta de Lourosa (Sousela) – Tori e Lokita (Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, 2022), 88 minutos

12 de Agosto – Quintas de Melgaço (Melgaço) – A Felicidade das Pequenas Coisas (Daniele Luchetti, 2019), 93 minutos