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Mais de mil polícias em manifestação prometem voltar aos protestos

Fotografia Manuel de Almeida/Lusa

Lusa

Publicado em 29 de outubro de 2026, às 23:43

Reivindicações apresentadas junto à residência oficial do primeiro-ministro

Mais de mil polícias da PSP e guardas da GNR manifestaram-se hoje em Lisboa para exigirem respeito e prometem voltar aos protestos caso o Governo não apresente propostas concretas de valorização salarial.

"Hoje não viemos aqui pedir favores. Viemos exigir respeito", disse o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) no final da manifestação junto à residência oficial do primeiro-ministro.

Os mais de mil elementos da PSP e GNR que segundo a organização participaram no protesto desfilaram entre o Largo de Camões e São Bento ao som de apitos e de vez em quando gritavam "Polícia unida jamais será vencida".

Com bandeiras da ASPP e da APG, os manifestantes empunhavam também vários cartazes, onde podia ler-se: “Exigimos revisão do sistema remuneratório já” e “Por um Portugal Seguro para todos”.

Com esta manifestação nacional, os polícias e guardas pretenderam “com toda a clareza” exigir ao Governo que cumpra os compromissos assumidos no acordo de 2024 e aumentos salariais em janeiro de 2027.

“Exigimos um processo de negociação real, efetivo e de boa-fé com o devido reconhecimento da especialidade e perigosidade da condição policial e militar”, sublinhou Paulo Santos, frisando que “a luta não termina com a entrega” de um documento na residência do primeiro-ministro com as reivindicações.

O presidente da APG, César Nogueira, precisou que se exige ao Governo a apresentação de propostas concretas no processo de negociação, lamentando que há mais de dois anos não seja cumprida qualquer promessa.

César Nogueira avançou que os elementos da PSP e GNR voltam aos protestos caso o ministro da Administração Interna não apresente na próxima reunião em novembro uma proposta sobre a revisão do estatuto remuneratório e um aumento salarial em janeiro.

O presidente da APG considerou também que o ministro Luís Neves “não tem capacidade política, nem peso político” no atual Governo.

A manifestação nacional de hoje foi o culminar de vários protestos que a ASPP e a APG realizaram em diferentes cidades do país desde setembro.

Paulo Santos foi ainda questionado sobre as várias intervenções policiais nas manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e Porto, tendo respondido: “Estou sempre ao lado dos profissionais da PSP. A PSP tem um porta-voz, não é o presidente do sindicato que deve falar sobre essa questão. Será sempre o diretor nacional ou quem representa a PSP”.

O sindicalista esclareceu que “os polícias têm um código deontológico e obedecem a ordens. Os profissionais no terreno cumprem as ordens”, destacando “a complexidade e exigência do serviço policial”.