A proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 foi aprovada na generalidade na Assembleia da República, com os votos a favor do PSD e do CDS-PP e as abstenções do PS, PAN e JPP. Pela terceira vez nesta legislatura, Chega, IL, Livre, PCP e BE votaram contra o documento apresentado pelo executivo chefiado por Luís Montenegro.
Tal como sucedeu nos dois anos anteriores, a viabilização da proposta governamental foi assegurada pela abstenção da bancada socialista.
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considerou cumpridas pelo primeiro-ministro as condições anteriormente colocadas sobre o reforço da Segurança Social, a revisão constitucional, a garantia de financiamento para investimentos estratégicos e os apoios destinados à reparação dos estragos causados pelas tempestades do último inverno.
A oposição ao documento orçamental foi liderada pelo Chega, cujo presidente, André Ventura, justificou o voto contra com a ausência de medidas para combater a inflação nos alimentos e combustíveis, bem como a falta de resposta à crise na habitação, acrescentando que «mantemos a esperança de que a especialidade traga outra atitude do Governo».
Na mesma sessão plenária, os deputados aprovaram o texto final da Lei das Grandes Opções para 2026-2029. No cenário macroeconómico em que assenta o Orçamento, o executivo projeta um crescimento do PIB de 2,1% em 2027 e um excedente orçamental de 0,1%.
O debate entra agora na fase de especialidade com a audição de ministros e entidades públicas, decorrendo o prazo de alterações até 6 de novembro. A votação final global realiza-se a 24 de novembro.