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Desenvolvida nova classe de antibióticos eficazes contra bactérias multirresistentes

Desenvolvida nova classe de antibióticos eficazes contra bactérias multirresistentes
Fotografia Pexels

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 02 de abril de 2024, às 09:30

Um consórcio multinacional liderado por cientistas da Universidade de Uppsala (Suécia) descobriu, e testou com sucesso em ratos, uma nova classe de antibióticos com capacidade de curar infeções causadas por bactérias multirresistentes.

A nova classe de antibióticos é descrita esta segunda-feira num artigo da revista científica ‘Proceedings of the National Academy of Sciences’ (PNAS).

A investigação foi realizada com o apoio do projeto europeu ENABLE, liderado pela Universidade de Uppsala e pela empresa farmacêutica GlaxoSmithKline, que juntamente com mais de cinquenta parceiros europeus da academia e da indústria, combinam recursos e conhecimentos para avançar no desenvolvimento de antibióticos contra multirresistentes. baterias.

Os antibióticos são a base da medicina moderna e, ao longo do último século, melhoraram dramaticamente a vida das pessoas em todo o mundo.

Os humanos dependem destes para tratar ou prevenir infeções bacterianas, para reduzir o risco de infeção em tratamentos de cancro, em intervenções cirúrgicas invasivas, em transplantes e em mães e bebés prematuros, entre muitos outros usos.

No entanto, o aumento global da resistência aos antibióticos ameaça cada vez mais a sua eficácia. Para garantir o acesso a antibióticos eficazes no futuro, é urgente encontrar novos compostos.

O consórcio, liderado pela Universidade de Uppsala, desenvolveu um novo tipo de antibióticos que têm como alvo a proteína LpxH, que as bactérias Gram-negativas utilizam para gerar a membrana externa que as protege do ambiente e também de alguns antibióticos como a penicilina.

Nem todas as bactérias produzem esta camada, mas aquelas que o fazem incluem os organismos que a Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou como os mais críticos para o desenvolvimento de novos tratamentos, incluindo Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, que são resistentes aos antibióticos disponíveis.

A equipa mostrou que esta nova classe de antibióticos é altamente ativa contra bactérias multirresistentes e pode tratar infeções da corrente sanguínea em ratos, demonstrando seu potencial.

E como esta classe de compostos é completamente nova e a proteína LpxH ainda não foi explorada como alvo para antibióticos, não existe resistência preexistente a esta classe de compostos, destacam os autores.

A equipa advertiu que, embora os resultados atuais sejam muito promissores, será necessário um trabalho adicional considerável antes que estes compostos estejam prontos para ensaios clínicos.

O trabalho para descobrir e desenvolver esta nova classe de antibióticos foi apoiado pelo projeto ENABLE, no qual a Universidade de Uppsala e a empresa farmacêutica GlaxoSmithKline, juntamente com mais de cinquenta parceiros europeus da academia e da indústria, reúnem recursos e conhecimentos para avançar no desenvolvimento de antibióticos contra as principais bactérias Gram-negativas, como E. coli, K. pneumoniae, P. aeruginosa e A. baumannii.