AAPAV e o ACES de Braga uniram esforços numa exposição de sensibilização contra a violência. A exposição foi inaugurada ontem, no âmbito do Dia da Eliminação da Violência Contra as Mulheres.
«Esta exposição pelos direitos das vítimas de crime visa aqui contemplar algumas das campanhas emblemáticas da APAV ao longo destes 30 anos e entendemos aqui com a EPVA e com a ACES Cávado I de Braga que poderia ser uma vantagem trazer este universo das campanhas para as pessoas que frequentam este centro de saúde», explicou Marta Mendes, da APAV, ao Diário do Minho. «A ideia foi não só sensibilizar os profissionais de saúde, mas também pensarmos nas pessoas que frequentam este centro e que por variadas ordens de razão, podem sofrer ou já ter experienciado algum fenómeno de vitimação», acrescentou.
Marta Mendes justificou a escolha do local para a exposição com o facto de as unidades de saúde familiar serem uma «porta de entrada» para detetar e combater estas situações. «Não raras vezes os profissionais de saúde são a porta de entrada, sabem destas situações, têm uma confiança brutal dos utentes. Trazer estes dois universos e dizer-lhes que podem pedir ajuda a um médico, podem pedir ajuda a um técnico de apoio à vítima e que todos nós trabalhamos numa verdadeira rede, em verdadeiras parcerias, pode ser importante para que esta voz, a voz da vítima, se faça ouvir ao longo dos tempos», mencionou.
Neste sentido, o presidente do Conselho Clínico do ACES de Braga, Rui Gonçalves, destacou o papel das unidades de saúde familiar e respetivos profissionais no combate à violência. «Não há melhor do que os cuidados primários, onde a figura da família é a figura tradicional com que uma equipa de saúde familiar, enfermeiro, médico, trabalham. Muitas vezes a figura violenta está no seio da família e, então, os profissionais de saúde estão numa posição privilegiada para ajudar a detetar e a combater estas situações», frisou o responsável.
«Os nossos profissionais ajudam e fazem esse apoio e recebem as pessoas. Se não tivermos capacidade, temos de trabalhar isso mesmo - sinalizar sinais diretos, físicos, e indiretos, que só em ambiente de consulta segura se podem detectar», referiu ainda Rui Gonçalves.
Após a inauguração da exposição, o ACES de Braga, através da Equipa de Prevenção da Violência em Adultos (EPVA), promoveu na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva uma exposição, aberta a toda a comunidade, com o tema “Uma estória sem vilões”. Relativamente a esta atividade, Mafalda Alvelos explcitoi que o «objetivo era juntar os vários atores da nossa sociedade que estão todos ligados nesta nesta batalha». «Nós achamos que o amanhã terá que ser melhor que o ontem e que o silêncio é o maior cúmplice do agressor. Desta forma, quisemos fazer uma tertúlia para trazermos o tema a debate a toda a comunidade e parceiros», acrescentou.
A exposição vai manter-se patente no ACES Cávao I - Braga até ao dia 3 de dezembro. Os quadros incidem em temáticas variadas dentro do tema da violência, além da violência contra as mulheres.
APAV registou quase 20 mil crimes de violência doméstica em 2021
A APAV registou, em 2021, a nível nacional, 19 846 crimes de violência doméstica. A informação foi avançada ontem, no Relatório de Estatísticas sobre Violência Doméstica e Vítimas no Feminino.
No mesmo ano, a associação apoiou «cerca de 28 mulheres e raparigas» por dia, vítimas de crimes como violência doméstica, difamação e perseguição, entre outros.
Segundo o relatório, a APAV atendeu no último ano 9 275 vítimas de violência doméstica (82,3% do sexo feminino e 15,5% do masculino), cerca de 45% das quais tinha entre 26 e 55 anos. No caso das primeiras, 618 eram crianças e jovens, 51,3% das quais tinha entre 11 e 17 anos, sendo a ameaça/coação o crime mais denunciado. Este é igualmente o crime mais referido pelas «5 072 mulheres adultas» que recorreram à APAV (29,2% entre 36 e 45 anos), enquanto as 904 mulheres idosas (26% entre 70/74 anos) queixaram-se sobretudo de injúrias e difamação.
Autor: Diana Carvalho